O uso frequente de celulares e outros dispositivos digitais pode impactar a saúde do cérebro ao longo dos anos. É o que aponta uma pesquisa realizada por estudiosos Universidade de Waterloo, no Canadá, que associa a dependência excessiva da tecnologia à redução do estímulo cognitivo, fator que pode contribuir para lapsos de memória e, em casos mais graves, aumentar o risco de demência.

Com a praticidade dos smartphones, tarefas que antes exigiam esforço mental passaram a ser resolvidas em poucos segundos. Mapas físicos foram substituídos por aplicativos de navegação, números de telefone deixaram de ser memorizados e anotações em papel quase desapareceram da rotina. Embora essas facilidades tragam conforto e agilidade, especialistas alertam que o cérebro precisa ser constantemente estimulado.

Segundo a neurologista da Santa Casa de Maceió, Alice Cavalcante, apesar de a idade ser o principal fator de risco para demência, a falta de estímulo cognitivo ao longo da vida também influencia. “Um cérebro que foi pouco estimulado tem maior risco. Se a gente apenas armazena informações, sem criar ou aprender algo novo, de forma indireta estamos aumentando esse risco”, afirmou durante entrevista a uma TV local.

Ainda de acordo com a especialista, a solução não é abandonar a tecnologia, mas equilibrar o uso com atividades que desafiem a mente, como leitura, escrita, prática de exercícios físicos, hobbies e aprendizado contínuo. “Quanto mais aprendemos algo novo, mais sinapses criamos no cérebro, fortalecendo as conexões e reduzindo o risco de doenças no futuro”, destacou.