A Justiça do Trabalho de Alagoas marcou para 9 e 11 de junho o leilão de uma cobertura duplex em Maceió pertencente ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, onde ele cumpre prisão domiciliar por condenação a oito anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. As informações são do jornalista Carlos Madeiro, colunista do UOL. 

A decisão é do juiz Nilton Beltrão de Albuquerque Júnior, da Secretaria de Execução e Pesquisa Patrimonial do TRT-AL, em um processo movido por uma ex-funcionária da TV Gazeta, empresa do grupo de Collor. 

O despacho, emitido no dia 10, permite que o ex-presidente apresente proposta de conciliação antes do leilão. A defesa afirma que a dívida trabalhista já teria sido quitada parcialmente no processo de recuperação judicial da TV Gazeta, em andamento desde 2019.

O imóvel, localizado no bairro Jatiúca, parte baixa da capital, possui área privativa de 599 m², cinco vagas de garagem, adega, piscina, terraço, bar e vista para o mar. 

A avaliação mais recente do cartório aponta valor de R$ 7,6 milhões, enquanto outra avaliação de 2024 indicou R$ 9 milhões. Collor comprou a cobertura em 2006 e não a declarou ao TSE em 2022, quando concorreu ao cargo de governador de Alagoas.

A ex-funcionária envolvida no processo trabalhou na TV Gazeta e firmou acordo homologado em 2019 para receber R$ 80 mil em salários atrasados, FGTS não recolhido e multas. 

A defesa da jornalista argumenta que o acordo da recuperação judicial, firmado em 2023 por R$ 48 mil, não teria sido homologado judicialmente e se aplicaria apenas à empresa, não aos sócios, permitindo que a Justiça cobrasse bens pessoais de Collor, incluindo a cobertura. Segundo o advogado da ex-funcionária, a dívida atual, com juros e multa, já chega a R$ 220 mil.

A situação financeira de Collor se agravou nos últimos anos. Como sócio majoritário da Organização Arnon de Mello (OAM), que engloba TVs, rádios e portais de notícias em Alagoas, ele responde por processos da Justiça do Trabalho devido a débitos não quitados pelas empresas. 

Diversos bens foram bloqueados, incluindo contas bancárias, veículos de luxo, uma chácara em Campos do Jordão (SP) e cotas de empresas. Até familiares próximos, como a esposa e as filhas, tiveram bens bloqueados.

O grupo OAM enfrenta também impacto de decisões judiciais externas: em setembro de 2025, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, autorizou a criação de uma nova afiliada da TV Globo em Alagoas, encerrando a parceria de 50 anos da TV Gazeta com a emissora carioca.

O grupo recorreu à presidência do STF, mas o julgamento ainda não ocorreu.