Histórias reais, vividas no chão da cidade, ganharam novamente a tela grande e se encontraram no escuro do cinema. Famílias lado a lado, memórias que se reconhecem, trajetórias que se cruzam e ajudam a entender como Arapiraca se formou, cresceu e se transformou em referência de desenvolvimento. Assim foi o lançamento da 30ª edição do Projeto Raízes de Arapiraca, um marco simbólico e afetivo na preservação da história popular do município.

Idealizado pelo deputado estadual Ricardo Nezinho, o projeto chega à trigésima edição com um acervo que ultrapassa 500 documentários, reunindo relatos de homens e mulheres que participaram, direta ou indiretamente, da construção econômica, social e cultural de Arapiraca. São personagens que contam a própria história, formando um registro contínuo da identidade da cidade.
Durante a sessão, realizada na Sala 3 do Cinema Partage Arapiraca, o parlamentar falou com emoção sobre o significado do acervo construído ao longo dos anos. “Cada edição tem uma emoção diferente. São pessoas que ajudaram a escrever a história de Arapiraca com trabalho, simplicidade e dignidade. Esse conjunto de documentários é um patrimônio histórico, um legado que guarda a memória da nossa gente”, afirmou Ricardo Nezinho.
A vice-prefeita de Arapiraca, Rute Nezinho, destacou a sensibilidade do projeto e seu valor educacional. “Ricardo tem a capacidade de enxergar histórias fundamentais, muitas vezes silenciosas. Esse material será fonte de pesquisa para escolas, universidades e estudantes, que poderão se aprofundar na formação da cidade. Arapiraca foi construída por muitas mãos, por todas as famílias, e o Raízes registra isso com clareza”, disse.
Integrante da equipe de produção, Suely Mara ressaltou o aspecto humano do projeto. “O Raízes reúne famílias para ver a própria história na tela. É um sentimento de pertencimento muito forte, de reconhecimento. São momentos que ficam marcados na vida de quem participa e de quem assiste”, pontuou.
Entre as histórias apresentadas nesta edição está a de Geruza Souza de Oliveira, de 80 anos. Nascida em Pernambuco, ela vive em Arapiraca há cerca de 40 anos. Filha de agricultor, iniciou a vida profissional na colheita do fumo, depois atuou como doméstica e, mais tarde, tornou-se servidora da Câmara de Vereadores de Arapiraca. Pelo trabalho prestado ao município, foi homenageada com a Comenda Manoel André. Mãe de nove filhos, com 15 netos e dois bisnetos, Geruza representa a força de mulheres que ajudaram a sustentar famílias e a cidade.
A filha, Izabel Cristina, destacou os ensinamentos deixados pela mãe. “Ela sempre falou sobre caráter, honestidade e respeito. Tudo isso ela viveu. Ver essa trajetória registrada é motivo de orgulho para toda a família”, afirmou.
Ao alcançar a 30ª edição, o Projeto Raízes de Arapiraca consolida-se como um dos maiores registros etnográficos do mundo, com a meta de chegar a mil documentários. Todo o acervo está disponível para acesso público no portal raizesdearapiraca.com.br.
Homenageados da 30ª edição do Projeto Raízes de Arapiraca
Sala 3 – Cinema Partage Arapiraca
José Neto Cézar – Nuances da Natureza
Severiano José da Silva (Boninho) – A Luz de Candeeiro
Alzira dos Santos Caetano – Caminho da Fazenda Velha
José João da Silva (Zé do Remédio) – O Teatro de Mamulengo
Rosa Alves Pereira da Silva (Professora Rosa) – Aroma da Infância
Geruza Souza de Oliveira – Paisagem Serranas
Sebastiana Maria de Lima Silva – Filhas das Águas
José Evilázio Firmino de Lima – O Fiscal Municipal
Genival Zeferino Raimundo – Carrinhos de Madeira
Edvaldo Ferreira da Silva (Bagaceira) – O Poeirão do ASA
Leobina de Lima – Os Festejos de São José
Maria Vilma Barbosa Lúcio (Professora Vilma) – Retrato das Memórias
Floraci Messias dos Santos – Raríssima Orquídea
Antônio Brito de Oliveira – As Aparições de Nossa Senhora










