Atualizada às 20h59

Subiu para 16 o número de mortos no grave acidente envolvendo um ônibus que transportava romeiros na rodovia AL-220, em um trecho conhecido como “S do Caboclo”, nas proximidades do distrito Caboclo, no município de São José da Tapera, no Sertão de Alagoas. A mais recente vítima é o menino Luiz Miguel de Alcântara Louriano, de 4 anos, que morreu na tarde desta terça-feira (3), após não resistir aos ferimentos.

A criança havia sido socorrida e encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santana do Ipanema. Outras vítimas foram levadas para o Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues, onde, segundo informações oficiais, quatro pessoas passaram por procedimentos no centro cirúrgico e 11 permanecem internadas sob cuidados médicos. 

Há pouco, o Governo de Alagoas confirmou as 16 mortes e disse que, deste total, quinze pessoas morreram no local e tiveram os corpos recolhidos pelo Instituto Médico Legal (IML). Entre as vítimas fatais estão sete mulheres adultas, cinco homens adultos e quatro crianças.

Ao todo, 20 pacientes deram entrada na rede estadual de saúde. Quinze foram atendidos no Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia, sendo um já liberado. Uma criança com múltiplas fraturas foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, onde permanece internada na área vermelha, em estado grave. O Hospital de Emergência do Agreste recebeu cinco pacientes; um deixou a unidade antes do atendimento para acompanhar o velório de familiares, e quatro seguem internados em estado grave. Atualmente, 18 sobreviventes permanecem internados.

O acidente ocorreu por volta das 7h09 da manhã, quando o ônibus, que havia saído de Juazeiro do Norte (CE), tombou durante o trajeto de retorno para os municípios de Coité do Nóia e Limoeiro de Anadia, no Agreste alagoano. No momento do capotamento, cerca de 60 pessoas estavam no veículo.

De acordo com o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, 17 ônibus saíram do município com destino a Juazeiro do Norte, transportando entre 800 e 900 romeiros. O coletivo envolvido na tragédia fazia parte desse grupo.

Diante da gravidade da ocorrência, o Governo de Alagoas mobilizou uma força-tarefa integrada para o resgate e atendimento às vítimas. A operação contou com aeronaves do Departamento Estadual de Aviação (DEA), equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL) e da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) e do 7º Batalhão. O caso foi classificado como um Incidente com Múltiplas Vítimas (IMV) de alta complexidade.

Todos os corpos já foram necropsiados e as 16 vítimas já foram identificadas oficialmente. Oito residiam em Coité do Nóia, uma em Igaci. Confira os nomes:

  1. Adelmo José de Oliveira, 52 anos
  2. Claudiana Maria da Silva Bastos, 45 anos;
  3. Cleusa Simão Lima, 63 anos,
  4. Cícero Barbosa de Lima, de 71 anos
  5. Edivania da Silva Lima, de 39 anos,
  6. Francisco Izidoro da Silva, 71 anos
  7. Jamilly da Silva Bastos, 5 anos
  8. José Caio de Oliveira Souza, 15 anos
  9. José Welliton Barbosa Louriano, 39 anos
  10. Josefa Madalena de Alcantara, 67 anos;
  11. Luiz Miguel Alcântara, 4 anos
  12. Maria do Socorro Santos, 73 anos,
  13. Maria Gorete Rodrigues Izidoro da Silva,  38 anos,
  14. Maria Manuella de Souza Oliveira,  5 anos,
  15. Vandete Maria da Silva, 60 anos,
  16. Sebastião Vieira de Morais Neto, 55 anos

Segundo a assessoria da Polícia Científica, todas as vítimas foram identificadas, necropsiadas e liberadas para sepultamento. Aguardando apenas os trâmitess legais e a retirada por parte das funerárias.

Conclusão da perícia

A Polícia Científica de Alagoas, por meio do Instituto de Criminalística de Arapiraca (ICA), informou que concluiu a perícia no local do acidente. De acordo com o perito criminal Gerard Deokaran, o ônibus, que retornava de Juazeiro transportando romeiros, saiu da pista ao fazer uma curva, caiu em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura e tombou às margens da via, no sentido São José da Tapera.

Os peritos analisaram as marcas na pista e na ribanceira, recolheram o tacógrafo para análise e realizaram exames no sistema de freios e medições para verificação de velocidade. Não foram identificados sinais de frenagem antes da saída da pista. 

Exames complementares ainda serão realizados para a consolidação do laudo e o esclarecimento técnico da causa e da dinâmica do acidente.

O Instituto de Criminalística de Arapiraca enviou duas equipes para realizar a perícia no local, e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente.

Em razão da tragédia, o governador Paulo Dantas decretou luto oficial de três dias em Alagoas e informou que acompanha pessoalmente o trabalho das equipes envolvidas na operação. 

Ônibus estava irregular

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus realizava transporte clandestino de passageiros. Segundo o órgão, o veículo de placa JJB3D75, não possuía autorização para operar o transporte interestadual ou intermunicipal de passageiros, o que caracteriza a atividade como irregular. 

O ônibus não estava habilitado junto à agência reguladora e não possuía Certificado de Segurança Veicular (CSV), seguro de responsabilidade civil vigente nem Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado no momento do acidente.

 

*Fotos: Agência Alagoas