O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas realizou, na última segunda-feira (26), mais uma edição do “Projeto Vozes da Mundaú”, voltado à escuta de moradores atingidos pela subsidência do solo em Maceió, causada pela exploração de sal-gema. 

O objetivo foi recolher relatos e demandas diretamente das comunidades afetadas, por meio de reuniões agendadas ao longo da tarde.

Entre as principais reivindicações, moradores da Vila Saem, no Bebedouro, relataram problemas com iluminação pública, insegurança, descarte irregular de lixo e falta de manutenção de equipamentos urbanos, além de cobrar a construção de novas áreas de lazer e informações sobre o início das obras previstas no Programa de Ações Sociais (PAS). 

Também alertaram para a circulação de informações falsas que, segundo eles, têm agravado a situação.

Na Rua Marquês de Abrantes, os moradores manifestaram preocupação com as ativações do sismógrafo instalado na localidade e pediram acesso aos protocolos de acionamento. 

Eles também relataram dificuldades de mobilidade, acesso a serviços básicos e risco de alagamentos devido ao transbordamento do Riacho Silva, agravado pela precariedade de pontes e tubulações.

Durante o encontro, o MPF esclareceu o andamento da ação civil pública referente ao Mapa V5, que está em curso na Justiça Federal. O órgão informou que o TRF5 suspendeu a decisão que determinava a realocação de 13 imóveis mais danificados no bairro Bom Parto, e que a definição final ainda depende de nova manifestação do tribunal. 

O MPF, a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público de Alagoas (MPAL) defendem que há provas suficientes para garantir indenização aos imóveis incluídos no mapa, mas o avanço das medidas depende do processo judicial.

Outros moradores relataram pendências relacionadas a reembolsos por atividades econômicas afetadas por obras, falta de paradas seguras para transporte escolar, tráfego intenso em vias reformadas e dúvidas sobre a gestão do centro comercial em construção na região. 

No Bom Parto, houve críticas à entrega de novas casas populares sem priorizar famílias com imóveis interditados pela Defesa Civil, além de reivindicações por obras de drenagem, melhorias no abastecimento de água e ações preventivas para o período chuvoso.

A procuradora da República Júlia Cadete afirmou que o MPF vai cobrar respostas e providências dos órgãos responsáveis e manter o diálogo com a população. 

O Projeto Vozes da Mundaú integra as ações do MPF para acompanhar o cumprimento das obrigações assumidas pela Braskem, empresa responsável pela mineração que provocou o afundamento do solo em parte de cinco bairros de Maceió.

As inscrições para a próxima edição serão reabertas na terça-feira (3 de fevereiro), para o encontro marcado para 25 de fevereiro, a partir das 14h, na sede do MPF em Maceió.

 

*Com informações da Ascom MPF