O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) anunciou, nesta segunda-feira (26), a condenação de Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, apontado pelas autoridades como líder de uma das maiores organizações criminosas voltadas ao tráfico de aves silvestres no país. A sentença, proferida pela Justiça da Bahia, fixou pena de 18 anos de prisão por crimes ambientais e financeiros.

Segundo o MPAL, Weber foi condenado por organização criminosa, tráfico de animais silvestres, maus-tratos com resultado morte, lavagem de dinheiro e receptação qualificada. Ele estava preso preventivamente desde setembro de 2025, após investigações conduzidas de forma integrada pelo MPAL e pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), no âmbito da Operação Fauna Protegida.

A decisão judicial também alcançou outros integrantes do grupo, entre eles Ivonice Silva e Silva, companheira de Weber e apontada como responsável pela gestão financeira do esquema, além de Uallace Batista Santos, Josevaldo Moreira Almeida, Ademar de Jesus Viana, Messias Bispo dos Santos e Gilmar José dos Santos. De acordo com os Ministérios Públicos, todos atuavam de maneira organizada no comércio ilegal de animais silvestres.

As apurações indicaram que Weber Sena Oliveira exercia papel central na estrutura criminosa, coordenando a captura em larga escala de aves, a manutenção dos animais em cativeiro e o transporte clandestino para diferentes regiões do Brasil. A investigação teve avanço significativo após a prisão do réu, em janeiro de 2025, durante uma blitz na BR-101, no sul da Bahia, quando foram apreendidos 135 pássaros transportados de forma irregular.

Com o aprofundamento das investigações, a Operação Fauna Protegida foi deflagrada em setembro do mesmo ano, resultando na prisão do investigado no município de Mascote (BA) e no oferecimento de denúncia contra todos os envolvidos.

De acordo com o promotor de Justiça Kleber Valadares, coordenador do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do MPAL, a atuação do grupo se estendeu por mais de três décadas, com a distribuição de aves para receptadores de alto poder aquisitivo nas regiões Nordeste e Sudeste. “Trata-se de uma prática reiterada, com impactos ambientais severos e difícil reparação”, destacou.

Esquema financeiro

As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Entre fevereiro e agosto de 2023, cerca de R$ 500 mil transitaram pelas contas bancárias de Ivonice Silva e Silva, apontada como responsável por receber os pagamentos referentes às remessas de aves e efetuar repasses a fornecedores localizados na Bahia, em Minas Gerais e em outros estados.

Parte dessas transações ocorreu em terminais bancários no município de Magé, no Rio de Janeiro, onde reside Valter Nélio, conhecido como “Juninho de Magé”, também investigado por lavagem de dinheiro ligada ao esquema.

Entre as espécies comercializadas ilegalmente estavam canário, papa-capim, trinca-ferro, azulão, pássaro-preto e chorão. Para a captura, o grupo utilizava armadilhas e redes de grande porte, capazes de capturar centenas de aves em um único dia, com registros de negociações que chegaram a R$ 80 mil.

Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), citados pelos promotores de Justiça, apontam que aproximadamente 90% dos animais capturados morrem antes de chegar ao destino final, em razão das condições precárias de transporte e dos maus-tratos.

As apurações também permitiram identificar a principal rota utilizada pela organização, ligando o sudeste da Bahia e o nordeste de Minas Gerais ao estado do Rio de Janeiro. O mapeamento foi baseado em estudo do projeto Libertas, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), que identificou dezenas de pontos recorrentes de apreensão relacionados ao tráfico de animais silvestres.

 

*com informações MP/AL