Estava eu, tranquila e calma,  confortavelmente despojada, em meu lar doce lar,  com a praticidade da vestimenta, a tal roupa de  vestir em casa

No começo da  manhã ouço o interfone do apartamento chamar. Falo com o cabra-entregador de uma marca famosa , e o encontro no portão da entrada do prédio.

Chego me apresentando, e ele, com um olhar inquisidor, questionador:- Foi com a senhora  que falei pelo telefone?- pergunta

Assevero que sim.

O entregador  repete o nome desta ativista, com o complemento:- Tem certeza, que é a senhora?!

Eu fiquei em dúvidas se eu era eu mesma. ( risos embebidos em sarcasmo)

Esta ativista sorriu, com um sorriso atravessado pelos tempos do letramento antirracista  extra-necessário e deu-lhe as costas, mas,  antes, educadamente, com a encomenda em mãos, agradeceu a entrega.

Suspeições atemporais.

A tal área nobre  onde mora  esta ativista não combina com a cor  que porta na  pele.

O mundo me faz lembrar o tempo todo que sou uma mulher negra e não caibo em todo canto.

O outro nome desta ativista é  insubordinação.

E o  racismo é um camaleão poliglota.