A menina Maria Clara Gomes da Silva, preta, pobre, periférica, autista desapareceu dia 19 de julho de 2021.
Tinha 05 anos e uma carreirinha de irmãos paridos como ela, no oco do nada, em uma família desestruturada econômica, afetivamente, emocionalmente, mentalmente.
Moravam em uma viela esquecida pelas políticas públicas, no bairro Vergel do Lago, em Maceió,Alagoas.
Se a família já sofria os impactos da miserabilidade naturalizada, depois do sumiço de Maria Clara, a coisa desembestou.
A mãe embarcou de vez na dependência química e as outras crianças a Deus dará, ficaram à mercê das empatias alheias.
Mas, contudo,porém, todavia quem sente empatia por gente preta, preta escondida nos cafundós de Judas?
Talvez, caridade cristã!
Nenhum Orgão de Proteção de Direitos Humanos, municipal ou estadual prestou , um tiquinho assim, de atenção, atendimento e apoio à família de Maria Clara.
Os Orgãos de Proteção a Mulher deixaram lacunas irreparáveis em relação à garantia do bem estar integral da mãe da menina.
Maria se tornou uma criança descartável e a mobilização para encontrá-la foi recheada de fragilidades institucionais.
E quando esta ativista, Arísia Barros, conheceu o menino de 10 anos, autista, morador de um Abrigo da capital, irmão de Maria Clara Gomes da Silva veio a lembrança do Projeto de Lei sobre Pessoas Desaparecidas, da então deputada, Jó Pereira, que como política de humanização daria vida as diretrizes de políticas públicas intersetoriais e uma rede de atendimento voltadas à prevenção e à divulgação dos casos de desaparecimentos de pessoas, especialmente crianças e adolescentes, em Alagoas, como também investiria na assistência jurídica, psicológica e outras questões a família das pessoas desaparecidos.
São 4 anos e 6 meses do desaparecimento de Maria Clara Gomes da Silva.
E nesses 1.640 dias Maria Clara a família desagregou ladeira abaixo.
Mas, quem se importa?
A proposta do PL da então deputada, Jó Pereira, que criaria uma rede de resistência a famílias de pessoa desaparecidas, e quem sabe, evitaria que o irmão da menina Maria Clara estivesse em um abrigo.
Mas, quem se importa?










