Especialistas têm alertado sobre o uso do capacete aberto. Apesar de permitido pela legislação, ele deixa áreas vitais do rosto expostas, o que pode resultar em traumas graves e até fatais.
O alerta se torna ainda mais urgente quando são analisados os números crescentes de acidentes com motociclistas em Maceió. Segundo dados do Hospital Geral do Estado (HGE), só nos primeiros seis meses de 2024, 1.120 motociclistas vítimas de acidentes de trânsito foram atendidos na unidade hospitalar. O número representa um aumento de pouco mais de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Regulamentação e segurança
A resolução 940 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamenta os tipos de capacetes permitidos no Brasil, incluindo os modelos abertos e integrais, mas o agente de trânsito Wanderson Freitas reforça que a segurança oferecida é diferente.
“O capacete integral protege toda a caixa craniana, inclusive a mandíbula. Já o aberto, muito usado no meio urbano, deixa o queixo e o rosto expostos. Em colisões, a primeira parte a bater é o rosto, e os traumas são severos”, aponta.
Capacetes fechados podem reduzir em até 30% as fraturas faciais. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Detran de São Paulo e da National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA -EUA) reforçam a eficácia do modelo integral na proteção do motociclista.
Além disso, o agente destaca que o problema não está apenas no tipo de capacete, mas na forma como ele é utilizado. “Muitos motociclistas deixam a viseira aberta, não usam a fivela jugular corretamente ou sequer ajustam o tamanho do capacete. Isso é extremamente perigoso”, informa.
O agente ainda destaca em casos de colisão ou queda, o capacete pode ser arremessado, deixando a cabeça completamente exposta. “E pilotar com a viseira aberta facilita a entrada de pedras, insetos ou outros objetos, o que pode causar lesões, atrapalhar a visão e provocar acidentes”, acrescenta.
A 2ª Sargento Anielly Santos, socorrista do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, afirma que o uso de capacetes abertos está diretamente relacionado a traumas crânio-encefálicos e lesões faciais severas.
“As lesões mais frequentes são cortes contusos, edemas e fraturas na face e crânio. Já vi muitos casos que poderiam ser evitados com o uso do capacete fechado”, explica.
Alguns motociclistas ouvidos pelo Departamento de Trânsito e Transportes (DMTT) de Maceió afirmam que a escolha do capacete aberto se dá pelo conforto térmico, segurança em locais onde não pode entrar com capacete fechado e preferência dos passageiros.
Embora a lei permita os dois modelos, especialistas defendem que a escolha do capacete deve ir além do conforto. A proteção total da cabeça e do rosto pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Além disso, é fundamental utilizar o equipamento de forma correta: com fivela fechada, viseira abaixada e tamanho adequado.
Foto de capa: Ascom/DMTT










