A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (19) a operação Falso Consignado, que teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em aplicar golpes contra idosos através de falsificação de documentos e contratação de empréstimos consignados fraudulentos. O esquema, segundo os investigadores, movimentou milhões de reais e deixou um rastro de prejuízos financeiros e psicológicos às vítimas.
O grupo falsificava documentos de beneficiários do INSS utilizando fotografias de outros idosos, aliciados como laranjas. Com os documentos adulterados, eram criadas contas no sistema Gov.br em nome das vítimas. A partir daí, os criminosos solicitavam empréstimos consignados de alto valor, principalmente em bancos digitais.
Assim que os créditos eram aprovados, os valores eram transferidos para contas de intermediários, os chamados laranjas, que faziam novas movimentações até que o dinheiro chegasse ao líder da organização ou a pessoas de sua confiança. Quando terminava o período de carência, as vítimas descobriam que estavam endividadas sem sequer terem solicitado os empréstimos.
Em apenas uma instituição financeira, o prejuízo ultrapassou R$ 500 mil. O levantamento parcial já aponta mais de R$ 1 milhão em golpes confirmados. No entanto, a estimativa é que o valor real seja muito maior, já que somente cinco investigados movimentaram cerca de R$ 8 milhões em menos de dois anos, sem comprovação de origem lícita.
Estrutura organizada
O esquema era chefiado por um homem de 56 anos, que já se encontra preso por homicídio qualificado. Ele era responsável por comandar os diferentes núcleos da organização, que se dividiam em setores:
Falsificação de documentos: produção de registros adulterados em nome das vítimas;
Recrutamento de laranjas: aliciamento de pessoas, muitas vezes idosos, para abrir contas e empresas fictícias;
Ocultação de patrimônio: pessoas próximas ao líder resguardavam bens adquiridos de forma ilícita.
Apesar de se apresentar publicamente como construtor de imóveis, sua principal fonte de renda era a fraude contra idosos e instituições bancárias.
Histórico de golpes
Entre os 12 investigados, cinco já possuem antecedentes por fraudes semelhantes contra o INSS e aposentados. O líder chegou a ser preso pela Polícia Federal por criar aposentadorias em nome de pessoas inexistentes, mas mesmo após sua detenção conseguiu reorganizar o grupo e manter parte do patrimônio adquirido com os golpes.
Além dos crimes financeiros, o grupo também mantinha um braço violento. Investigações apontam que uma mulher foi executada em Marechal Deodoro, em maio de 2024, após entrar em desentendimento com o chefe da organização. Ela teria sido usada como laranja em uma das operações fraudulentas.
Também há indícios de que o líder planejava a morte de sua ex-esposa. Por conta disso, os elementos apurados foram compartilhados com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga a participação do grupo em crimes contra a vida.
