A promotora de Justiça Karla Padilha, titular da 62ª Promotoria de Justiça da capital, com atribuição no Controle Externo da Atividade Policial, irá instaurar procedimento e acompanhar as investigações, realizadas pelas polícias militar e civil, sobre a fuga do major Pedro Silva, no sábado (6), da Academia da Polícia Militar, no Trapiche, onde estava preso por violência doméstica. 

A fuga resultou em três mortes, os assassinatos, pelo major, do filho dele, de 10 anos de idade, e a de seu ex-cunhado, sargento Altamir Moura. O próprio major Pedro também morreu, após intervenção do Bope.

“Já estamos pedindo informações à PM, queremos as imagens das câmeras de videomonitoramento do local para poder sabermos quem estava de plantão no dia em que o major fugiu e, ainda, precisamos descobrir quem autorizou e forneceu o aparelho celular que o militar usou para gravar vídeos de dentro da academia”, afirmou a promotora, por meio da assessoria de Comunicação do Ministério Público de Alagoas (MP-AL), nesta segunda-feira (9).

“É necessário que se apure com extremo rigor esse fato para que futuros casos não ocorram, e para além disso, para que se identifique e puna quem foram os responsáveis por essa fuga, que pode ter ocorrido por uma conduta omissiva ou comissiva (comportamento ativo que gera consequências legais, podendo ser intencional). Se ela não tivesse ocorrido, três mortes poderiam ter sido evitadas”, declarou a promotora.

Karla Padilha fez ainda outro alerta: “Também é preciso que se atente para a necessidade de investimentos da Polícia Militar na saúde mental dos seus policiais. Os fatos são graves e merecem um olhar de preocupação por parte do Ministério Público e do estado”, acrescentou ela.

Ano passado, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública (ACP) para a realização de concurso público para a contratação de psiquiatras para a PM. O MP recorreu da decisão, em primeiro grau, julgando a ação improcedente.

“A realidade da Polícia Militar de Alagoas é grave, e casos como esse, do último sábado, são tragédias já anunciadas. Existem muitos policiais adoecidos, tanto pela ausência de um acompanhamento sistemático pós-trauma no exercício da função, quanto porque estão dependentes de substâncias lícitas e ilícitas, o que pode induzi-los a cometer episódios de violência doméstica, dentre outros. É uma atividade extremamente estressante, e temos que levar em consideração que são profissionais que detêm armas, e isso facilita a prática de atos ilegais, caso não estejam bem”, alertou Karla Padilha.

Nota da PM

No final da tarde de hoje, em Nota à Imprensa, a Polícia Militar informou que a Corregedoria da PM irá apurar - com imparcialidade - as circunstâncias da fuga do major. A portaria de instauração do inquérito será publicada em Boletim Geral Ostensivo ainda nesta segunda, por determinação do comandante-geral da PM, coronel Paulo Amorim.

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*Com Ascom MP-AL