“Estamos com medo", diz mãe de adolescente vítima de abordagem truculenta por agentes do Ronda no Bairro

Redação*|

O superintendente do programa Ronda no Bairro, coronel Cícero Silva, reuniu-se, nesta quinta-feira (19), com a família do adolescente de 17 anos que foi vítima de abordagem truculenta enquanto trabalhava no Centro de Maceió. O encontro, intermediado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) foi mediado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos.

A assessoria de Comunicação do órgão acrescentou que na oportunidade, o coronel Cícero Silva afirmou não compactuar com atos de violência e ressaltou que encaminhou informações que devem auxiliar nas investigações administrativas para as corregedorias da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. O gestor do programa Ronda no Bairro acrescentou que não há motivos para que a família do adolescente tema sofrer represálias e que os suspeitos foram afastados das atividades nas ruas.

“O programa Ronda no Bairro é um programa de proximidade. Ele foi criado com a proposta de quebrar o paradigma de que as forças de segurança só atuam na repressão. Esse fato [caso de abordagem truculenta] nos causou surpresa, porque nossos colaboradores são capacitados para entender a filosofia do programa. De imediato, a gente afastou os envolvidos do serviço operacional. Mas a gente não está aqui para condenar, nem julgar. O que eu quero deixar claro é que a gente tem feito o que está ao nosso alcance”, explicou o coronel Cícero Silva.

Durante o encontro, a mãe do adolescente relatou ao gestor do programa Ronda no Bairro que, desde a abordagem, a família viu sua renda diminuir, já que a família não está saindo de casa por medo de represálias. Além disso, segundo ela, o adolescente passou a apresentar sinais de depressão desde o episódio. A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB/AL disponibilizará assistência psicológica gratuita para o jovem e para a família.

“A gente está com medo. Estou passando necessidade em casa, porque não estou deixando ele ir para o mercado. Meu pai trabalha com reciclagem. Meu filho está em depressão. Então, a gente está passando por uma situação muito difícil desde que isso aconteceu, porque ele é um menino trabalhador, ele estuda. O que fizeram com ele foi muito triste. Então, eu só quero Justiça”, ressaltou a mãe do adolescente vítima da abordagem truculenta.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB/AL, Roberto Moura, lembrou que a Ordem tem acompanhado o caso desde o início e destacou que foram expedidos oito ofícios para autoridades, cobrando celeridade nas investigações. Roberto Moura também parabenizou a iniciativa do superintendente do programa Ronda no Bairro em reconhecer que a abordagem não foi correta e se desculpar com a família da vítima.

“Além dos encaminhamentos legais, nós solicitamos ao coronel Silva, superintendente do programa Ronda no Bairro, que ele fizesse uma proximidade com os familiares do adolescente que sofreu essa abordagem. Hoje, ele atendeu ao nosso chamado e realizou esse momento de proximidade, para que a família trouxesse a sua dor, trazendo os traumas e os processos emocionais pelos quais passaram e também para que o coronel pedisse desculpas, reiterando que essa não é a abordagem do programa Ronda no Bairro”, finalizou Roberto Moura.

*Com assessoria

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