A Rússia de Vladimir Putin atacou a Ucrânia nas primeiras horas dessa quinta-feira (24). A guerra se tornou o assunto mais comentado do país. Ao Cada Minuto, o doutor em história e membro do Grupo de Pesquisa para a Paz, Conflitos e Estudos de Segurança Crítica, Johnatan Santos, explica que o atual conflito não é algo recente e disse como esses ataques podem ‘abalar’ o Brasil.
De Moscou, Johnatan Santos explicou para a reportagem que os conflitos entre a Rússia e a Ucrânia se iniciaram em 2014 após os protestos do Euromaidan e a subsequente remoção do presidente ucraniano Viktor Yanukovych.
Segundo ele, uma guerra desse porte, envolvendo duas nações com grande população e alto poder bélico, resultará em crise econômica e política. “Haverá consequências graves para os países envolvidos. E como qualquer guerra, a população civil será a mais impactada, com uma inflação alta, desemprego e falta de segurança alimentar sendo um dos problemas a serem enfrentados”.

O doutor em história reforça que, com as economias abaladas pela pandemia e movimentos anti-vacinas que tendem a desacelerar economias, principalmente nos Estados Unidos e Europa, uma crise geopolítica abala a todos, inclusive o Brasil.
“Como já podemos ver o preço do petróleo já vem subindo nos últimos dias, o que afetaria diretamente o preço da gasolina no Brasil, por exemplo. Com o petróleo mais caro outras partes da economia também serão afetadas, pois resultaria em fretes mais caros para o transporte de alimentos e outros commodities [produtos de origem da agropecuária] necessários para o desenvolvimento econômico”, explica.
Ele também enfatiza que enquanto parte do mundo e presidenciáveis brasileiros já se manifestaram em relação a atual notícia da guerra, o governo Bolsonaro optou por “não se comprometer”.
“Bolsonaro ao dizer que estava solidário à Rússia ressalta que seu governo não está preparado para responder de forma precisa a situação atual, indo contra os princípios diplomáticos de Rio Branco, que é colocar a soberania como algo inviolável e a resolução política dos conflitos”, destaca.
E enfatiza: “Como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil permanece engajado nas discussões multilaterais com vistas a uma solução pacífica, em linha com a tradição diplomática brasileira e na defesa de soluções orientadas pela Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional, sobretudo os princípios da não intervenção, da soberania e integridade territorial dos Estados e da solução pacífica das controvérsias".










