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A semana na CPI da Pandemia e os conselheiros de Bolsonaro

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro / Foto: Reuters

Quando pensamentos científicos divergentes não são ouvidos, e quando pessoas desqualificadas usam a sua ideologia para influenciar decisões neste conturbado período de polarização, a ciência - uma das coisas mais democráticas que existe - perde.  

E quando essa perda ocorre tal fato pode ser retratado em números de vítimas. foi exatamente o que ocorreu na gestão da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro e os seus conselheiros do ministério da saúde paralelo formado por advogados médicos e políticos negacionistas.  

Tudo caminha para que boa desse grupo desqualificado seja responsabilizado ao final da CPI da Covid do Senado. Especialmente o chefe de todos, Jair Bolsonaro, pelo caos total e pelas milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. Hoje são quase 500 mil brasileiros.

"Se você for falar de vacina, onde parou o processo de compra, a lentidão, você vai no Pazuello, vai no outro, e acaba no Bolsonaro. Se você fala em críticas e obstáculos ao afastamento social e ao uso de máscara... Bolsonaro. Pode criticar o ministro da Saúde, mas acaba no Bolsonaro", disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), em entrevista ao Globo.

"Sobre a cloroquina, por que essa prescrição de um remédio sem comprovação científica, quem fez, quem não fez, segue a linha e acaba no Bolsonaro. E agora estamos vivendo esse problema de aglomeração, com uma ameaça, se já não uma realidade, de terceira onda. E o Ministério da Saúde praticamente imobilizado, não se pronuncia sobre essa aglomeração, se promove uma Copa América. E o que tem por trás disso? Bolsonaro. Então, todos os indícios levam ao grande chefe disso tudo, o grande chefe dessas falhas todas é sem dúvida nenhuma o Bolsonaro, cercado por maus conselheiros", afirmou o senador.

Diante da clareza das decisões que levam todos os caminhos para o mesmo endereço, esta semana os membros da Comissão Parlamentar vão ouvir personagens envolvidos diretamente.  

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi reconvocado para esta terça-feira (8). Entre os temas, a confirmação da Copa América no Brasil em plena pandemia.

Quarta-feira (9), Elcio Franco, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão de Eduardo Pazuello, também foi convocado. O gabinete paralelo de aconselhamento ao governo Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia, é um dos assuntos no radar.  

Na quinta-feira (10), quem vai depor é o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC-AM), após a Operação Sangria, da Polícia Federal, investigar desvios na Saúde. Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República de integrar um esquema de desvios de dinheiro na compra de respiradores para o combate à Covid-19

E na sexta-feira (11) foi convidada a pesquisadora Natalia Pasternak, da Universidade de São Paulo (USP), e o ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Claudio Maierovitch.

Esta semana os senadores também devem decidir se convocam ou não membros do gabinete paralelo, caso do empresário Carlos Wizard, o deputado federal Osmar Terra, (MDB-RS), entre tantos outros.

 

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