Voney Malta
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Quem fica em silêncio em CPI é 'só bandido', disse ministro de Bolsonaro

Escravo da palavra dita. A frase que pego emprestada para o título deste texto foi usada em suas redes sociais, em 11 de maio de 2015, pelo atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni.

Deputado pelo DEM, o gaúcho se referia ao depoimento do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró à CPI na Justiça Federal do Paraná. “Cerveró ouviu de mim que em CPI quem se vale do direito [a] ‘ficar calado’ tem coisa a esconder, só bandido usa disso.”, postara o parlamentar (veja aqui).

Nesta quinta-feira (13), a Advocacia-Geral da União recorreu ao STF que para que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello tenha o direito reconhecido de ficar calado durante o seu depoimento na CPI da Covid, marcado para quarta-feira (19).

Seguindo o raciocínio de Lorenzoni, o obediente dono da humilhante frase dita a Jair Bolsonaro, "um manda e o outro obedece", está escondendo algo, portanto, tal silêncio é uma confissão de culpa, certo?

EM TEMPO - De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, em seu blog (leia aqui), o ministro relator do caso, Ricardo Lewandowski (STF), irá atender o pedido de habeas corpus para que Pazuello não responda a perguntas dos senadores que possam prejudicá-lo.

Contudo, segundo Noblat, "Não quer dizer que o ministro se limitará a atender aos desejos de Pazuello. É provável que estabeleça restrições, do tipo: o general não poderá se negar a dar explicações sobre as ações do Ministério da Saúde contra a pandemia durante o período em que o comandou, nem sobre o que disse ou quis dizer, à época, em pronunciamentos públicos. É uma brecha no silêncio total".

 

 

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