Para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello, a decisão do colega Edson Fachin que anulou condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi "uma verdadeira bomba atômica". Ele acredita que o caso pode ser revisado pelo plenário.
Na última segunda-feira (8), Fachin transferiu de Curitiba para Brasília quatro processos criminais de Lula, derrubando as condenações no Paraná e devolvendo a Lula o direito de se candidatar à Presidência em 2022.
"Nesta semana em primeiro lugar, tivemos uma verdadeira bomba atômica com a decisão do ministro Fachin anulando quatro processos-crime alusivos ao ex-presidente Lula. Se houver agravo [recurso] e ele levar à Turma, acredito em um score [pontuação] confirmando a decisão dele em 4 a 1", disse Marco Aurélio.
Já, se o caso for levado a plenário, porém, o ministro prevê que a decisão de Fachin deva ser derrubada por 6 votos a 5 e com isso Lula perderia os direitos políticos.
O entendimento de Fachin provocou reações no STF, que retomou a análise sobre a suspeição de Moro — e também causou impactos políticos. Dois dias após a decisão, Lula fez um discurso em tom de campanha e uma entrevista coletiva durante duas horas e meia, ontem, em São Bernardo do Campo (SP).
Marco Aurélio disse que agora é momento de aguardar os próximos passos dos processos no STF. "Mas tenha certeza, de uma coisa: de tédio não se morre", afirmou à reportagem.
"Tivemos o início do julgamento na Turma sobre a suspeição do juiz Sergio Moro. Não cabe desqualificar aquele que foi tido como herói nacional. Aquele que inaugurou a responsabilidade de poderosos no campo penal e que prestou um grande serviço à pátria", disse o ministro do STF.
"O mocinho, o herói [Sergio Moro], não pode se transformar, da noite para o dia, em bandido" disse o ministro.
Para Marco Aurélio, se o STF confirmar a suspeição de Moro, a decisão causaria insegurança jurídica. "Isso revela um retrocesso cultural. Não se goste do juiz Sergio Moro, é uma coisa. Mas chegar ao ponto de aceitar a suspeição dele é passo demasiadamente largo. E gera junto aos cidadãos em geral uma insegurança jurídica muito grande", pontuou.










