Durante mais uma edição do programa Direto da Província, o deputado estadual Davi Maia (DEM), afirmou que “o governador Renan Filho quis ser o garoto propaganda da pandemia” e que por diversas vezes “trocou os pés pelas mãos”. A live, conduzida pelo jornalista Luís Vilar, aconteceu noite desta terça-feira (25), no instagram do Portal CadaMinuto (portalcadamin).
Para o deputado, não existiu planejamento, por parte do governo Renan Filho (MDB), para enfrentamento da crise sanitária e econômica decorrentes da pandemia. “Nunca houve planejamento de ações. Foram gastos mais com comunicação do que com equipamentos médico hospitalar. O hospital de campanha do Centro de Convenções nunca foi utilizado e o de Arapiraca sequer foi construído. Além disso, nenhum respirador foi comprado em Alagoas durante a pandemia. O governador quis desfrutar de uma mídia que nunca foi positiva. Isso é uma vergonha”, afirmou
Ele menciona também que a Assembleia Legislativa do Estado fez diversos requerimentos e sugestões ao governo, na tentativa de minimizar os gastos e contribuir com o planejamento para enfretamento da pandemia. “Na ALE surgiram inúmeras ideias para esse enfrentamento e diversas vezes fizemos requerimentos e sugestões ao governo, a exemplo da contratação dos transportadores escolares, parados durante a pandemia, para transportar o pessoal da área da saúde que continuava na ativa. Mas foi contratada uma empresa privada para fazer essa função, gerando ainda mais gastos para o Estado.”
Consórcio Nordeste
Em relação à aquisição de respiradores para o Estado, o deputado explicou o motivo da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Interestadual envolvendo nove estados, na qual investiga as denúncias de que houve fraude na aquisição de respiradores pelo Consórcio Nordeste e afirmou que Alagoas levou um prejuízo de mais de R$ 5 milhões.
“O Consórcio Nordeste não passa de uma organização criminosa formada no Gabinete Civil do Estado da Bahia. Só na primeira compra, Alagoas pagou antecipadamente o valor de R$ 4.488.750,00 por 30 respiradores, mas que nenhum equipamento foi entregue. Na segunda compra, foram gastos pela Sesau R$ 5.226.934,7 em novos respiradores que também não foram entregues. O Consórcio Nordeste devolveu um valor com uma diferença de R$ 593.963,12, justificando a perda por causa da variação do dólar, mas o prejuízo sofrido por Alagoas passa de R$ 5 milhões”, afirmou.
Davi Maia mencionou também que apresentou na ALE um requerimento para a convocação de Rui Costa, governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste, e de Carlos Eduardo Gabas, secretário executivo do grupo, para que prestassem esclarecimentos ao Parlamento alagoano sobre as denúncias de fraude, porém, essa convocação foi barrada depois que, dos 19 deputados presentes, 10 votaram contrários ao requerimento.
“Se o governo barrou é porque ele tem algo a esconder... Se não tivesse, não barraria ações como essas. Esse é um assunto urgente e que deve ser tratado com prioridade, caso contrário, Alagoas continuará esperando pela resolução do caso”, lamentou o parlamentar.
Atuação de oposição
Questionado sobre seu posicionamento de oposição dentro da Assembleia Legislativa, o deputado ressaltou que assume posição contrária ao governo Renan Filho por discordar do estilo de administração adotada pelo governador. “Fazia parte do grupo do prefeito Rui Palmeira e sempre tive o Rui como uma figura ‘anticalheirismo’. Meu posicionamento sempre foi claro. Cheguei na ALE criticando e denunciando problemas do governo como questão da Casal e ambientais causados pelo governo e vou continuar exercendo meu papel de oposição”, afirmou.
Ainda sobre ser oposição no Estado, o parlamentar destaca que Alagoas tem a tendência de seguir o governo, diferente de outros estados brasileiros, onde as oposições são claras e definidas. “Aqui no Estado a gente sofre um adesismo desenfreado. Não importa se o governo é de esquerda, direita, centro... todo mundo quer fazer parte do governo, seja ele qual for”, disse.
O deputado lamentou ainda não entender o motivo pelo qual o prefeito de Maceió aceitou a união com o governo Renan Filho, intitulada por ele de ‘casamento de jacaré com cobra d’agua’. “Infelizmente não entendo e não vou aceitar a aliança do governo com o prefeito Rui Palmeira”, finalizou.
Ascom Direto da Província
