Roberto Gonçalves
Roberto Gonçalves

Comunidade Carrasco não quer atuação da Vale Verde dentro do território quilombola

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Representantes da comunidade não querem que mineradora faça escavações nas terras ancestrais

Em reunião com representantes da Secretaria Estadual da Mulher e dos Direitos Humanos, na manhã desta terça-feira (18), os moradores da comunidade remanescente quilombola do sítio Carrasco, decidiram que a Mineradora Vale Verde não deve fazer escavações dentro do território.

Está para ser marcada uma reunião da Vale Verde com a comunidade. Eles vão apresentar o projeto deles, onde vai atingir e também o projeto social para as famílias que seriam atingidas. Mas nós estamos preparados para dizer não para a Vale”, afirma a representante quilombola Genilda Queiroz.

Segundo ela, representantes das quatro famílias que fundaram a comunidade do Carrasco participaram da reunião - que não pôde ser aberta a todos os moradores do território para evitar aglomeração - estão decididos contra as escavações nas terras ancestrais.

“Todos em uma só voz disseram que não querem a Vale Verde aqui. Ela podem até fazer um trabalho social na comunidade, mas sem escavar. Não queremos que venha destruir o nosso convívio, a nossa história. A gente sabe que pode ter indenização para quem seria afetado, mas a comunidade somos todos nós juntos. Se dividir, não vai mais existir a nossa comunidade e a nossa história será apagada, assim como o nosso espaço, pelo qual lutamos tanto”, ressaltou Genilda.
 

As escavações da Vale Verde dentro do território quilombola começaram na última semana de julho e pegaram os moradores de surpresa. A comunidade remanescente, certificada pela Fundação Palmares, é considerada território tradicional, regido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

O pacto estabelece, entre outras coisas, que qualquer atividade dentro dos territórios tradicionais só podem ser executadas com a concordância da população local, que deve ser consultada antes do início das atividades e informada sobre todos os impactos que terão na comunidade. Mas nada disso aconteceu. “Não houve conversa alguma. Fomos realmente pegos de surpresa e a gente tem medo que aconteça com a nossa comunidade a mesma situação do povoado Laje, em que os moradores tiveram que se mudar após as escavações da Vale Verde”, ressaltou.

Na época, por meio de nota, a Vale Verde argumentou que estava fazendo sondagem geológica do local, coletando amostras de minério na superfície do solo, e que a atividade tinha a autorização dos proprietários dos terrenos e licenciamento ambiental. A empresa alega que a sondagem seria apenas um "estudo inicial", que não significa que serão feitas perfurações na região e que iniciaria as conversas com a comunidade e, por conta disso, a Convenção da OIT não foi descumprida.


 

 


 

 

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