Foto: Jovem Pan
Jair Bolsonaro

Antes de qualquer coisa, caro leitor, dispa-se de sua ideologia e simpatia exacerbada por qualquer grupo político ou indivíduo. Aqui vamos tratar de politica como ela é, política pura, atividade que, em sua essência, também une adversários contra o inimigo comum, aquele que tira votos e tem possibilidade de vitória.

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro é o inimigo número um de todos os poderes e dos partidos de esquerda.  

Do presidente Jair Bolsonaro porque, caso dispute o governo federal, o ex-ministro é uma alternativa que lhe toma os votos dos lavajatistas e de eleitores de centro e de direita frustrados com a atual administração.

Dos partidos de esquerda e do PT por ser visto como o responsável pela derrocada de lideranças como Lula e de perseguição específica ao partido antes e durante as eleições de 2018.

De quase todos os demais partidos de centro, liberal e de direita com representantes no Congresso porque também foram atingidos pelas operações da Lava Jato, caso do MDB, PSDB, PP PR, entre outros.  

No Judiciário e no MPF, especialmente nas altas Cortes do Poder, há inveja, raiva, constrangimento, temor. Tudo por casua da viabilidade eleitoral do ex-juiz.  

Por isso a Operação Lava Jato está sob pressão. Por tudo isso as autoridades das cúpulas dos três Poderes estão pregando contra a politização do Judiciário e do Ministério Público.

Quem levantou a bola foi Dias Toffoli, presidente do STF. Ele defendeu que a quarentena para que ex-juízes, ex-procuradores e ex-promotores possam disputar eleições passe de seis meses, como é hoje, para oito anos.

De imediato recebeu a concordância do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).  O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, também disse que o Judiciário tem atuado como linha auxiliar da política.

O tema está em discussão e pode a qualquer tempo ser aprovado, há prazo pra isso, longo, arma guardada contra Sérgio Moro até meados de 2021, acredite caro leitor, e tudo dentro da lei polêmica, da controversa legislação.

Explico.

Existe uma lógica que nenhuma lei pode retroagir para prejudicar alguém. Sérgio Moro deixou o cargo de juiz antes da existência da hipotética nova lei, portanto, não deve ser prejudicado.  

Mas a questão não é essa.

Juízes - assim como promotores, procuradores, delegados -, por exemplo, "exercem uma função publica que, se usada de forma não republicana, podem passar 3 ou 4 anos destruindo a vida de adversários políticos, ou prejudicando ao máximo com abertura de investigações, ainda que não haja denúncia. Faltando seis meses para a eleição, renuncia e sai candidato", avalia Fábio Gomes,  ex-desembargador eleitoral do TRE de Alagoas.

Segundo ele, essa "é uma forma de interferir no proceso democrático através de uma função que é de Estado, uma carreira de Estado. Tanto é que enfrentam quarentena para advogar quando deixam o cargo, em algumas dessas carreiras".

Sendo assim, você, caro leitor, tem alguma dúvida que o chute, o bicudo, a rasteira, o 'tchauzinho querido' está preparado para Sérgio Moro e tem o envolvimento de todos os Poderes da República?