O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (29) que lamenta, mas não tem o que fazer em relação ao novo recorde de mortes registradas em 24 horas, com 474 óbitos, ultrapassando a China no número total de óbitos pelo novo coronavírus.

"E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", afirmou ao ser questionado sobre os números. Bolsonaro disse que cabe ao ministro da Saúde, Nelson Teich, explicar os números.

O recorde diário anterior do Brasil era de 23 de abril, com 407 novas vítimas. É agora o nono país com mais mortes no mundo. Segundo o boletim mais recente do Ministério da Saúde, ao todo 5.017 pessoas morreram por Covid-19. A China, por sua vez, registra 4.637 mortos, segundo a Universidade Johns Hopkins, nos EUA, que monitora a pandemia.

A primeira morte por coronavírus na China (e no mundo) foi confirmada em 11 de janeiro. No Brasil, a confirmação do primeiro óbito ocorreu em 17 de março.Em número de pessoas infectadas, o país tem 71.886 casos confirmados e está em 11º lugar, ainda atrás da China, que tem 83.938 casos.

Ainda durante a entrevista improvisada, Bolsonaro foi questionado sobre uma ação movida pelo jornal "O Estado de S. Paulo". A juíza Ana Lúcia Petri Betto deu o prazo de 48 horas (sob pena de multa de R$ 5 mil) para que Bolsonaro forneça "o laudo de todos os exames" que fez para diagnosticar covid-19.

Apesar de dizer publicamente que testou negativo para o novo coronavírus, Bolsonaro se nega a apresentar o resultado e classifica o exame como "sigiloso". Ele chegou inclusive a dizer, durante participação no "Brasil Urgente", da TV Bandeirantes, que a sua palavra vale mais do que um papel.

"Daqui a pouco vão querer saber se eu sou virgem ou não. Dá positivo ou não? Se nós dois [presidente e o repórter] estivermos com Aids, a lei nos garante o anonimato. Da minha parte, não tem problema nenhum em mostrar, mas quero ter o direito de não mostrar", afirmou.

A Advocacia-Geral da União informou que irá recorrer.