Um dos nomes dos pré-candidatos a prefeito de Maceió, o deputado estadual Davi Davino (PP) avalia que a próxima gestão municipal terá que organizar o caos financeiro provocado devido à crise provocada pelo novo coronavírus. Entre março e abril, a gestão município contabiliza uma queda de 40% da arrecadação.
Em entrevista ao CadaMinuto, Davino destacou a necessidade da formação de gabinete de gestão econômica para avaliar as medidas necessárias diante da crise. Confira.
Enfrentamos um momento de muita incerteza. Como o senhor avalia o cenário atual em Alagoas e quais medidas foram sugeridas na Assembleia Legislativa para o combate ao coronavírus?
DF – Vejo com muita preocupação o cenário econômico de Alagoas. É inevitável a queda de arrecadação decorrente do impacto direto da crise no setor produtivo. O decréscimo das atividades de grandes contribuintes como os setores de energia, combustíveis, construção civil e turismo afetarão significativamente a arrecadação do ICMS. A secretaria da Fazenda já divulgou dados referentes a emissão de notas fiscais que revelam uma redução de 10% em março e 30% em abril. E infelizmente a tendência é de queda. Com relação à Assembleia Legislativa, percebo uma preocupação de todos os deputados, sobretudo, com os setores mais vulneráveis da sociedade. Temos feito um esforço conjunto para propor soluções que contemplem essa parcela da população.
Em relação ao meu mandato, em específico, busquei escutar as pessoas com menor poder aquisitivo pois desde que essa crise começou a se desenhar ficou explicito que eles seriam os mais atingidos. De imediato apresentei proposição para a imediata utilização de recursos do FECOEP para a compra de alimentos e produtos de higiene para os que vivem em ambiente de fragilidade social, sugestão acatada pelo Governador que anunciou a compra de cestas básicas com recursos desse fundo. E agora peço celeridade na distribuição dessas cestas que quando anunciadas geraram grande expectativa por parte da população. Apresentei também o requerimento para execução de um plano de assistência social diferenciado para pessoas idosas moradores de abrigos e ampliação de multas pelo PROCON para os que se aproveitam da situação de calamidade para praticar preços abusivos, o que representa um verdadeiro absurdo nesse momento em que precisamos de união e solidariedade.
O que o senhor mudaria em Maceió e qual área acredita que necessite de maior atenção?
DF – Discutir os problemas que temos aqui em Maceió, passa necessariamente por uma análise aprofundada dos mecanismos históricos que levaram o nosso estado a ser um dos piores em relação a desigualdade social. Nesse sentido penso objetivo maior a ser atingido por qualquer postulante a gestor municipal deva ter o combate à desigualdade como eixo estratégico alinhados com programas e ações do município que precisarão ser apresentados através de detalhado no plano de gestão e disponibilizado para conhecimento e debate da população.
O município precisou adotar uma série de medidas para diminuir os impactos econômicos e isso reduziu a arrecadação. Acredita que o próximo prefeito pegara o município em uma situação delicada?
O impacto nas receitas próprias do município nessa situação de crise terá que ser considerado de forma extremamente diferenciado. Entendo que se faz necessário a formação de um gabinete de gestão econômica, agregando uma série de especialistas para reconstruir as finanças e repactuar as despesas. Segundo a Secretaria Municipal de Economia, já foi registrado até o presente uma queda de mais de 40% das receitas próprias de Maceió em relação aos mesmos meses do exercício anterior e não se pode prever até quando essa situação de declínio irá permanecer. A ajuda da união é crucial e não pode demorar muito sob o risco de um caos nas finanças. Esse é o quadro que terá que ser organizado pela próxima gestão.
A aliança entre o PP e o PSL deverá ser um peso maior na disputa, principalmente com relação ao tempo da propagando eleitoral?
DF – Eu acho que esse momento não é o momento de se falar em eleição, mas sim, de se unir esforços e juntos enfrentar essa crise do coronavírus. Nesse sentido, avalio como de muita relevância a união desses partidos, que juntos somam 80 Deputados Federais, no sentido da grande contribuição que podem oferecer no enfrentamento dessa pandemia e na direção do enfrentamento das desigualdades sociais que se agudizaram nessa crise.
Como espera o transcorrer do pleito eleitoral, principalmente sobre os ataques dos adversários?
Embora as pesquisas me coloquem em uma posição competitiva, fato que agradeço muito porque é um reflexo de um trabalho construído durante muitos anos junto as camadas mais humildes da população, volto a dizer que esse não é um momento de se falar em eleição, fazer política, pois precisamos todos estarmos focados em superar essa crise do coronavírus. Em conjunto, em união de esforços.
