Diferente do Brasil, a quarentena para combater o novo coronavírus em outros países é mais rígida e menos flexível. Existem proibições de transitar pelas ruas em determinados horários, estando sujeito a penas de prisão e pagamento de multas. Esse é o caso da Bolívia, por exemplo. Onde estudantes brasileiros de medicina estão encontrando dificuldades de voltar para casa.
Os estudantes estão reclamando da postura tomada pelo Consulado Geral Brasileiro em Santa Cruz de La Sierra. O órgão até disponibilizou ônibus para levar os brasileiros até a fronteira, mas o valor da locação tem que ser pago pelos universitários. E quando for sair do país, ainda é necessário pagar mais uma taxa.
Foram disponibilizadas listas para as pessoas que utilizariam os serviços dos ônibus. Mas a oferta ainda é insuficiente para a demanda. Mesmo com duas listas que foram feitas, cerca de 900 pessoas ainda estão sem transporte para voltar ao Brasil. A principal reivindicação dos brasileiros é para que sejam lançadas outras listas e mais ônibus sejam ofertados.
As regras da quarentena boliviana são duras. Os moradores só podem sair na rua um dia da semana, que é definido pelo último número da carteira de identidade. E mesmo assim, o horário permitido é das 7h às 12h. Em um dia, a pessoa precisa comprar tudo o que necessita. O trajeto de volta ao Brasil não custa pouco e mesmo assim existem famílias que não podem bancar. Os estudantes que tentam sacar dinheiro enviado pelos parentes, acabam não conseguindo pelas grandes filas que se formam nas agências bancárias.
Entre os estudantes está Jéssica Nascimento Silva, alagoana que já concluiu todo o curso de medicina e estava na Bolívia apenas esperando a documentação para fazer as provas de revalidação, que dão a ela o direito de exercer a profissão no Brasil. “Tudo que queremos é estar com nossas famílias e só quando essa situação se normalizar, a gente volta”, disse a estudante.
Pelas redes sociais, o Consulado Brasileiro não demonstra interesse em dialogar. “Eles estão tratando todos nós como um lixo. Na página do consulado em Santa Cruz tem vários pais que seguem a página e deixam mensagem porque tem seus filhos aqui e querem ter repostas sobre uma possível viagem ou disponibilidade de ônibus e eles são arrogantes. Denunciamos para o Itamaraty”, reclamou Jéssica.
O grupo de estudantes conseguiu reunir 900 pessoas e fazer mais listas. Agora esperam uma resposta do Cônsul sobre uma possível reunião para tentar resolver a situação.
*Estagiário sob supervisão da editoria










