O Cada Minuto entrevista iniciou uma série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Maceió. O primeiro a ser entrevistado foi Ricardinho Santa Rita, do Avante.
O pré-candidato fez uma avaliação da gestão do prefeito Rui Palmeira, do cenário político, e dos outros nomes que circulam para a política em Maceió. Confira a entrevista abaixo:
01 – Logo no início de janeiro, o Avante anunciou seu nome como pré-candidato e representante da nova política. Como foi feita essa composição?
O Avante, ele possui uma ferramenta de inteligência artificial que ele começou a minerar dados e buscar principalmente nas redes sociais blogs e sites, quem estava falando sobre política no Brasil, isso ainda no ano passado. Coincidentemente eu possuo relações pessoais com o presidente nacional do partido, Luiz Tibé e por diversas vezes o presidente estadual, Marcos Toledo, chegou até mim em Brasília, quando eu estive atuando no Governo Federal, ele me dizia que eu deveria me filiar ao Avante e eu sempre dizia que filiação seria para depois. Em agosto, Luiz Tibé esteve em Maceió e me disse que tinha feito uma rodada buscando perfis para serem pré-candidatos e ele me disse que achou alguns, mas não conhecia e que me conhecia e que estava nesse perfil.
De agosto até dezembro eu fiquei nesse processo de convencimento do próprio Avante, já que nas minhas redes sociais eu sempre falei de políticas públicas, de serviços públicos, de achar solução para os problemas das cidades e da sociedade. Foi desta forma que ele me convenceu para que unidos pudéssemos encarar um projeto e que em Maceió viéssemos a propor a sociedade uma fórmula totalmente inovadora de gestão. Ele me deixou totalmente à vontade para que eu possa criar inovar e atrair pessoas para que eu possa construir um plano de ação para nossa cidade e que também fosse inovador para o nosso país. O Avante aposta em Maceió como um grande laboratório para repaginar a política e a gestão pública do país.
02 – Como você detalha a atuação da nova política nestas eleições?
Eu às vezes sou crítico dessa ruptura de nova e velha política, eu brinco que há 520 a gente tem a palavra novo no país, pois quando os portugueses chegaram por aqui e o novo já existia, então eu acredito muito que a gente deve diferenciar a boa política da velha política. Existem políticos profissionais que são aqueles que buscam seus votos através de bases eleitorais, mas também eu acredito no profissionalismo político do país sobre outra ótica, qualificar e capacitar àqueles agentes políticos que possam promover transformação social. Eu faço parte de um movimento de renovação político, como por exemplo, o Renova BR.
Aqui em Alagoas criamos um grupo de amigos, o proativo, onde buscamos tentar qualificar a política local, de promover ações inovadoras para qualidade política, então eu acredito que Maceió possui uma capacidade de exportar bons políticos, mas exportar políticos que são controversos nessa história da nova e da boa política para o Brasil. Acredito que nesse ano temos um cenário de renovação, pesquisas de cenário que tenho lido mostram isso de maneira muito clara. Uma pesquisa do Instituto Travessia de São Paulo, mostra que o eleitor procura alguém de fora do meio político, porém ele já aceita alguém que tenha relacionamento com a política só que não deve ter nenhum envolvimento com escândalos e nem com processos de corrupção. A nova política que eu quero qualificar como boa política é aquela de políticos qualificados, capazes de realizar transformações sociais, que tenham transparência, que se relacionem com a sociedade, as redes sociais ajudam nisso, mas que tenham uma palavra-chave, integridade e que não se envolvam com escândalos judiciais.
03 – Nos últimos dias vimos diversos acordos, principalmente a articulação do PP em manter a candidatura de Davi Davino. Esse número maior de candidatos é favorável ao pleito?
Eu defendo que quanto mais candidatos a gente possa ter é bem melhor, quando você tem competitividade aumenta a produtividade. Sou formado em administração, sou da área de gestão e eu costumo brincar que cada vez que têm mais candidatos é melhor, é como você sair na rua e só ter uma pizzaria, se essa pizza custar R$ 50 reais, não tem outra para comer, mas se tiver duas pizzarias, ela vai ficar mais barata. Acredito que a gente vai ter um pleito com uma pulverização de candidaturas, hoje eu avalio de oito a doze candidatos a prefeito, acho que isso afunila, mas teremos diversos candidatos, eu acredito que é muito provável o segundo turno, pois somos uma cidade extremamente populosa.
Esses acordos políticos sempre existiram, a gente tem um sentimento de renovação, mas isso está em fase de transição, isso ainda vai ocorrer, a legislação eleitoral permite, a questão da discussão se é moral ou imoral quem vai conduzir isso é o eleitor durante o pleito. O deputado Davi Davino está unindo os partidos para que possa ter mais tempo de TV, isso se chama estratégia, é a estratégia dele. O ex-Procurador Geral de Justiça e provável candidato, Alfredo Gaspar, uniu governador e prefeito, isso é estratégia política dele.
O deputado JHC que tem toda essa densidade eleitoral dele, recentemente destacou que sua única aproximação é com o senador Rodrigo Cunha e com o deputado Davi Maia e ele segue mantendo a estratégia política dele, da mesma forma o ex-governador Ronaldo Lessa que tem reunido o grupo de centro-esquerda, que ele chama de ala progressista e tem construído sua estratégia e eu tenho a minha estratégia que é reunir coletivos. Já estive na Ufal, quero me reunir a grupo de pessoas que estão desprendidos dos políticos, mas que querem estarem próximos da política. Quando o Avante me convida para fazer uma campanha inovadora eu venho discutir esse ponto e fazer totalmente diferente, fazer algo que jamais foi feito e subverter todo o sistema político que a gente vive hoje.
04 – Alguns nomes foram postos no tabuleiro eleitoral, como você avalia estes nomes e com qual deles você mais se identifica?
JHC, Ronaldo, Davi, Alfredo, eu, o ex-prefeito Cícero Almeida, o deputado estadual Cabo Bebeto que teve seu nome ventilado, mas agora ficou mais em silêncio por conta do partido, Lenilda Luna, Cícero Filho, Ricardo Barbosa e Basile. Nesse aspecto é importante, eu não vejo que a ideologia, esquerda ou direita seja, importante para a opinião demográfica das pessoas, mas eu acredito que a gente deve pautar muito os problemas urbanos e locais. Quanto mais gente, mais mente e mais pessoas participando do processo ajuda a saírem boas ideias e volto a falar que falta mais mulheres, participando desse processo atualmente temos poucas mulheres.
Certa vez eu disse para deputada Cibele Moura que ela deveria ser candidata para enriquecer esse debate, a deputada Jó Pereira, a vereadora Ana Hora, a vereadora Fátima Santiago, a vereadora Silvania Barbosa, para que possamos fortalecer essa discussão.
A ideia é que possamos ter um espectro muito maior na pré-campanha como hoje a gente vê. Todo brasileiro diz que o Estados Unidos é a referência e lá eles fazem prévias durante o ano inteiro para que possam politizar e conscientizar o eleitor para que possamos fazer a renovação política acontecer e pelo nosso modelo de pré-campanha quanto mais candidatos, mais debates, mais discussões e mais embates a gente eleva a consciência do eleitor e a minha ideia é essa, elevar o debate para que o eleitor possa escolher da melhor forma o seu candidato lá em outubro.
05 – Dentre esses nomes que circulam, em um caso de segundo turno o Avante pode traçar alguma aliança?
Eu converso com todos os pré-candidatos, eu costumo dizer que tudo pode acontecer, caso eu esteja no segundo turno irei precisar reforçar esse diálogo e caso esteja outro candidato eu irei conversar, isso é normal, isso é a boa política que é a do diálogo, não em troca de cargo ou espaço é muito mais em troca de pauta e temas, a gente tem que convergir. O prefeito eleito ele tem que unir a todos para que possamos fazer uma convergência em torno de Maceió. Estamos na fase inicial, pensando em chapas de vereadores, candidaturas, estamos na etapa um. Além disso, não quero conversar agora sobre ter vice ou escolher vice, acho que ainda está cedo.
06 – Como você avalia a gestão do atual prefeito Rui Palmeira?
O Rui ele passou uma gestão inicial em processo de maturação da equipe, então o Rui teve uma equipe sólida, foi reeleito para o segundo mandato, ele iniciou ruim, isso é fato, os números mostram isso, mas ao longo desse último mandato ele melhorou agora no final em virtude desse programa Nova Maceió.
A minha crítica é que foi asfaltado e urbanizado grande parte da cidade, mas eu acredito que o grande desafio que o Rui deixa para o próximo prefeito que seja eleito é cuidar de pessoas. Eu falo muito de desigualdade, seja ela de renda, territorial, escolarização, emprego e oferta de serviços públicos, então eu acredito que o próximo prefeito tem que combater as desigualdades e esse gestor precisa ser uma pessoa acolhedora, humana e inclusiva.
07 – Qual a sua principal ideia/proposta, caso você seja candidato?
Gosto muito de investir em oportunidades. Números do Caged do último mês mostram que temos um número de pessoas trabalhando de maneira informal muito grande e isso impacta como um todo. Hoje temos 30% da população de Maceió fazendo uso de planos de saúde privados, mas se as pessoas estão empregadas elas deixam de frequentar o Serviço Único de Saúde (SUS) e consequentemente ele irá desafogar e melhorar a qualidade, essa é apenas uma das alternativas.
Eu acredito que o grande ponto de Maceió é o saneamento básico, pois ele impacta saúde, a nossa grande vocação comercial e econômica que é o turismo, mas eu acho que devemos gerar oportunidades tanto para que a sociedade possa ter emprego como para que possam empreender.
Hoje boa parte dos universitários não querem trabalhar para ninguém, eles querem empreender e isso é muito importante. O grande ponto de forma social e econômica é gerar emprego.
O pequeno negócio dos bairros tem crescido e é preciso investir nisso, as grandes indústrias devem continuar existindo, mas os microempresários merecem uma grande atenção. Eu não acredito mais que as grandes empresas é quem vão alavancar a economia do estado ou de uma cidade, acredito que as pequenas empresas podem sim fazer isto, basta apoio e bons investimentos.
*Estagiário sob a supervisão da editoria
