Ele é um homem preto, analfabeto.
Um homem que foi socializado nas ruas. E nas ruas não tem letras,nem alfabeto formal.
Analfabeto ele é, entretanto tem o dom da fala.
O homem não sabe ler, mas, reinterpreta o mundo do seu entorno, como ninguém.
Ele afirma que a vida de quem vive na miséria, não é vida. É uma espécie de desafio com o tempo. Cada um puxa a corda de um lado, até faltar forças pra um dos lados.
Era manhã chuvisquenta e a garoa que caia mansa e vagarosa molhava não só a roupa do homem, que carregava todas as sujeiras do mundo,como também sua alma.
Era uma manhã chuvisquenta e sem a leitura nos olhos e com um sono danado e importuno, deitou-se sobre a grama que forrava o terreno no entorno do Baobá, bem ali no Corredor Vera Arruda, em Maceió,AL . E sem prestar atenção na placa que dizia: é proibido pisar na grama.
O homem deitou-se e dormiu o sono dos justos.
O homem não sabe ler,mas, reinterpreta o mundo do seu entorno, como ninguém.
09/09/2019, 22:41 - Raízes da África
Por Arísia Barros

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