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HQ com beijo gay virou polêmica na última semana

Na última semana, Marcelo Crivella (prefeito do Rio de Janeiro) amanheceu de pá virada e disse que precisava proteger as crianças. A medida que ele tomou "para proteger as crianças foi determinar que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores". Ele mesmo postou na rede social dele que “não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”.

Lembro que um dia conversei com uma psicóloga que tem uma filha de aproximadamente seis anos e perguntei a ela como a filha dela tinha “reagido” ao ver um casal gay se beijando. Ela disse: normal, ela reagiu normal porque pra ela é um casal comum. “Ela ficou com dúvidas já que eram dois homens, mas aí eu expliquei a ela que eles eram casados e assim como um homem e uma mulher, eles eram um casal e se amavam. Ela entendeu e hoje os ama muito”, contou a mim na época.

Não sou mãe, mas sei que os filhos se espelham nos pais. Eles seguem padrões, são ensinados pelos pais e quando adultos carregam crenças que aprenderam ainda quando pequenos. Crivella e outros N brasileiros que concordaram com a atitude do gestor mostraram que tipos de pais são ou vão ser.

Aí você deve pensar que era um livro com dois personagens se beijando e que se alguém quiser ser lésbica ou gay que seja, mas que isso não seja “apresentado às crianças” para que elas engulam isso goela abaixo. Você também pensar que não tem nada contra homossexuais, que até respeita, mas que quer longe. Sinto dizer, mas ninguém é gay porque viu num livro um beijo.

Vamos mudar o contexto da cena: imagine que fosse um livro com um personagem de um homem e outro de uma mulher se beijando. Você compraria esse livro para o seu filho? Ou você diria que tem não tem nada contra héteros, que respeita, mas que quer longe?

Deixo essa pequena reflexão para que você observe que aceitar a segunda opção é puro preconceito. Se tratássemos os casais por iguais e ensinássemos aos nossos filhos sobre respeito, não estaríamos debatendo o preconceito. 

Lembre-se que o que Crivella fez - além de censura - foi um ato preconceituoso de alguém que disse que iria “proteger as crianças” retirando um livro de circulação. 

Talvez fosse interessante o prefeito ter o mesmo olhar para as crianças que estão nas ruas, as que são usadas na prostituição infantil, as que trabalham e as que estão conhecendo o tráfico por falta de opções. E essas mesmas crianças que o prefeito ignora por achar melhor ‘combater um beijo gay’ são as que vão morrer amanhã. E elas não vão morrer por causa de um livro.

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