Blog da Raíssa França
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Paulo Gustavo: Perdemos o riso em um país que chora as mais de 400 mil mortes

Raíssa França|
Paulo Gustavo
Paulo Gustavo / Foto: Reprodução / Internet

Perdemos o riso em um país que chora as mais de 400 mil mortes em decorrência de covid-19. Eu não sei você, mas hoje acordei em luto. Paulo Gustavo foi internado antes do meu avô completar um mês de falecimento. Na mesma época da internação de Paulo, minha mãe foi contaminada pela covid-19. De lá pra cá, muitas pessoas morreram, mas eu mantive minha esperança na recuperação da minha mãe e na do Paulo.

Minha mãe se recuperou. Então as minhas orações iam diariamente para o ator e para todos os enfermos. Rezei por pessoas que nem sei o nome durante esses meses, mas a minha esperança era gigante para que mais pessoas se recuperassem.

Esperança que não só eu tinha, mas todo o Brasil. Acho que é por isso que sentimos tanto a morte de Paulo Gustavo. A sensação de proximidade, de que ele era alguém da nossa família. Ele era: ele fazia parte da nossa casa quando assistíamos um filme dele no sofá, ou quando riamos no quarto de algumas piadas. 

Nos agarramos a essa esperança porque nós, brasileiros, já não aguentamos mais acordar e receber tantas notícias trágicas. Ontem, em especial, foi um dia trágico com a morte das crianças e das professoras em Santa Catarina, mais mortes pela covid-19 no país… Lágrimas, sensação de luto.

Não tem sido fácil esse momento. Por outro lado, essa pandemia nos faz pensar sobre tantas coisas: sobre o estar aqui, agora, o ter, o ser. Será que vale a pena mesmo perder o nosso tempo com o que não nos acrescenta? Será que estar vivo não seria o nosso maior milagre e é um erro não contemplar isso?

De uma coisa eu sei: todos os que morreram estão sendo lembrados - coletivamente ou individualmente - no coração de cada um. Que o nosso riso chegue o mais breve possível e que seja leve.

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@raissa.franca

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