A PF (Polícia Federal) prendeu temporariamente, nesta terça-feira (23), quatro pessoas suspeitas de envolvimento na invasão do celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. A prisão foi autorizada pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília. Na decisão, o magistrado afirmou que há indícios de que os investigados integram uma organização criminosa.

Os suspeitos, presos temporariamente, são Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira, Danilo Cristiano Marques e Walter Delgatti Neto. Veja o prefil dos suspeitos presos, de acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Gustavo Henrique Elias Santos, 28anos: morador de Araraquara, é conhecido como DJ Guto Dubra. Organizava festas em cidades no interior de São Paulo. Em 2013, foi preso por receptar uma caminhonete Hilux com placas e documentos adulterados e teve apreendidas em sua casa munições e armas falsas. Em 2015, foi condenado a 6 anos e 6 meses no caso pela Justiça de São Paulo em regime semiaberto, mas permaneceu solto após recurso da defesa. Nesse mesmo ano, foi detido junto com Walter Delgatti no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, mas somente prestou depoimento e foi liberado. Seu advogado, Ariovaldo Moreira, afirma que desconhece o envolvimento de Gustavo em atividades hackers. Foi preso em São Paulo, junto com a esposa Suelen. Teve uma movimentação de R$ 424 mil entre 18 de abril e 29 de junho de 2018 em sua conta no Banco Original, com uma renda mensal de R$ 2866. Gustavo afirmou aos investigadores que viu as mensagens das autoridades hackeadas no celular de Walter Delgatti Neto, que é seu amigo. Segundo o portal A Cidade On, de Araraquara, sua família mora em um bairro de periferia da cidade.

Suelen Priscila de Oliveira, 25 anos: Mulher de Gustavo Henrique, foi presa no mesmo endereço que o marido, em São Paulo. Ela não tinha passagem pela polícia. De acordo com o advogado, Suelen tem conhecimento “razoável” de informática e trabalha com criptomoedas. Ela também estava presente no episódio ocorrido no parque Beto Carrero, em Santa Catarina, pelo qual Walter Delgatti foi preso ao tentar se passar por delegado da Polícia Civil. Ela prestou depoimento junto com o marido e foi liberada. Segundo a investigação da Polícia Federal sobre o ataque hacker, Suelen movimentou entre 7 de março e 29 de maio de 2019, com uma renda mensal de R$2192. Os agentes encontraram no apartamento seu e de Gustavo, na zona sul de São Paulo, R$ 100 mil em espécie.

Walter Delgatti Neto, 30 anos: conhecido como “vermelho”, é filiado ao DEM de Araraquara desde 2007, segundo informações da Justiça Eleitoral. Foi preso, em 2015, por falsidade ideológica ao apresentar uma carteira vermelha alegando ser delegado da Polícia Civil diante de 1 furto de celular no parque Beto Carrero World, em Itajaí (SC). Ele também portava em seu carro arma e munições. Foi novamente preso em 2017, desta vez por tráfico de drogas e falsificação de documentos. Na ocasião, a polícia apreendeu em seu apartamento em Araraquara medicamentos de venda proibida e uma carteirinha de estudante da USP falsa. Foi absolvido pela Justiça na acusação de tráfico em um primeiro momento, mas por ser reincidente foi condenado pelo TJ pelo crime. Ele já havia sido condenado pela falsificação do documento. Delgatti também foi condenado em 2015 a 1 ano em regime aberto por ter utilizado o cartão de crédito de um idoso para pagar sua estadia em um hotel em Piracicaba, no interior de São Paulo. O suposto hacker também foi condenado em 2018 por estelionato, por ter utilizado um cartão bancário furtado de um escritório de advocacia. Em sua conta no Twitter, fazia críticas ao presidente Jair Bolsonaro e a Sergio Moro e chegou a responder uma postagem do procurador Deltan Dallagnol, dando uma “sugestão” de como confirmar a autenticidade das mensagens vazadas. “Mesmo apagando tudo, os caches ficam no celular, eles são arquivos fragmentados, sem o conteúdo das mensagens, mas com todas saídas e entradas de mensagens”, afirmou.

Danilo Cristiano Marques, 33 anos: dono de uma pequena empresa, foi preso em Araraquara. Segundo o portal A Cidade On, de Araraquara, é amigo de Delgatti e já foi testemunha dele em 2 processos. Era motorista de Uber, segundo a defensora pública.