Não é fácil morar no Morro do Alemão.Tem dias que as rajadas de balas é a única música que a gente escuta. E nós somos obrigados a escutar o dia todo.
A tensão é algo permanente. Muita gente, muita gente mesmo, sofre Acidente Vascular Cerebral, sem mesmo ter predisposição para isso. A tensão, o medo de morar no morro causam adoecimento, dentre eles o mental. Eu moro no pé do morro, mas, posso falar das muitas invasões, de dores e mortes.
Eles, o exército realiza as tais revistas às 6 horas da manhã, quando gente trabalhadora está indo pra labuta, e é essa gente que morre de bala perdida.
Nós, estamos morrendo e para a sociedade isso é natural, pois a vida das gentes do morro não tem importância.
Nenhuma importância - lamentou uma liderança do Morro do Alemão à esta blogueira, no encontro da Resistência Coletiva nos Tempos de Cólera, em Lapa,sábado, 04/05, que aconteceu na sede da AMAR, no Rio de Janeiro.
O encontro foi convocado pelo Instituto Raízes de Áfricas, com o apoio da AMAR.
