Dirigido pelo norueguês Hans Stjernswärd e financiado pelo sistema crowdfunding de arrecadação coletiva de fundos, "The Farm" (2018) é um pesado filme de terror, que me fez recordar obras violentas como "O Massacre da Serra Elétrica" (1974) e "Holocausto Canibal" (1980).
O roteiro traz um casal que viaja de carro pelo interior estado, mas ao pernoitar numa pousada, são raptados e levados para uma fazendo, onde encontram outros turistas presos e tratados como animais.
Nesse pesadelo gore, os humanos são escravizados para fornecer leite e carne para consumo, como os típicos animais encontrados numa fazenda, e seus captores usam máscaras representando os bichos.
O tratamento mecanizado e brutal busca retratar a forma como bois, vacas e porcos são administrados antes de chegar às mesas para serem servidos no jantar.
Assim, "The Farm" é uma verdadeira revolução dos bichos feito para chocar e provocar. O filme tem vários momentos de violência explícita de difícil digestão, por isso não é aconselhável aos espectadores mais sensíveis.
A ideia de subverter a dinâmica entre presa e predador foi bem executada e exalta a mensagem além do horror, entretanto, acredito que o longa poderia ter desenvolvido um pouco mais o conceito proposto, visto que ficaram algumas dúvidas quanto ao mecanismo da bizarra fazenda e dos envolvidos. A duração relativamente curta do filme, que não alcança uma hora e meia, possibilitaria mais alguns minutos investidos na trama.
Apesar disso, "The Farm" é corajoso ao tratar de um tema que o grande público ainda se recusa a discutir, pois o sabor da carne nos faz esquecer do trajeto que ela percorreu até ali.
Nesse exercício de transferência, encarar o horror pode ser um olhar no espelho.
7.5
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