Em Alagoas, a terra dos coronéis, faz tempo se empilha cadáveres ao longo da história com uma fúria primitiva, a justiça animalesca. Tipo olho por olho, dente por dente.
Os cadáveres empilhados são aqueles em que podemos jogar toda nossa sensação de impotência social, como fúria assassina deslocada, por conta do estado não nos conceder a segurança de ter uma vida tranqüila, sem as imprecações das balas ou dos assaltos de esquinas , de celulares que nos custam tantos tempos de trabalho.
Os corpos empilhados e expostos, feitos troféus cercado pelo poderio bélico e letal do Estado, são aqueles bandidos anônimos, que, dentro do anonimato, de uma forma ou de outra devastam a segurança do nosso mundo e produzem em nós o medo e a fúria, muito bem retroalimentada pelo Estado.
Os bandidos, com os corpos empilhados são os anônimos. Sim, porque os grandes bandidos, aqueles que roubam merendas, leite, carteira escolares, alimentam a seca do sertão,vidas inteiras das infâncias encravadas nas miserabilidades humanas e utilizam da criminalidade , do poderio do mando para controlar seu rebanho. Ah! esses bandidos "diferenciados" assumem poderes e o povo, um tanto bufão ,bate palmas e enche a boca cheia de línguas para chamá-los de autoridade. Ê,vida de gado!
A política da morte tem alvo certo e espalha a carnificina.
É a lei do capitão de reserva, eleito presidente da república das armas.
Quem vai resgatar e condecorar o corpo do menino Davi da Silva, 17 anos. Seqüestrado, desaparecido, morto, esquartejado?
O Carandiru em terras nordestinas..
Alagoas!
