Dois hospitais, o mesmo recurso federal, e a distância de menos de 3 km entre um e outro. Esta situação inusitada acontece em Maceió, após a prefeitura anunciar a licitação para empresa de engenharia construir uma Unidade de Pronto Atendimento - UPA no Bairro do Jacintinho. O problema é que o governo do Estado já assinou o contrato para a construção de uma UPA no mesmo bairro, e promete a entrega para os próximos quatro meses.

Como se não bastasse à confusão, tanto o governo do Estado, que já iniciou a obra, como a prefeitura, contam com o mesmo recurso. Na verdade uma sinalização que o Ministério da Saúde colocará R$ 4 milhões na obra.

Normalmente as UPAs são mantidas com 50% de recursos federais e os outros 50% divididos entre Estado e município. Mas na solenidade realizada no último dia 17 de abril, o governador Renan Filho anunciou que a unidade construída pelo Estado, será gerida e construída com recursos próprios.

Como funcionará cada UPA

De acordo com as informações das assessorias, a UPA que está sendo construída pelo Estado, ficará pronta em setembro, em uma área de 6.167m² foi desapropriada pelo Estado. Por recomendação do governador, está sendo empregada mão de obra do próprio bairro do Jacintinho na edificação da Unidade.

Inicialmente, a UPA foi orçada em R$ 5,9 milhões, mas licitada para edificação por R$ 5 milhões. A unidade irá assegurar atendimento intermediário entre a Atenção Básica e a Média e Alta Complexidade e melhorar o serviço prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) da capital, juntamente com as outras duas UPAs existentes nos bairros do Trapiche e do Benedito Bentes.

Já a da prefeitura ainda está na fase de licitação. Os envelopes com as propostas das empresas que estão se habilitando para o processo de construção da UPA só serão abertos no dia 04 de junho. E não existe previsão para o início da obra.

Assim como as UPAs do Trapiche e do Benedito Bentes, as novas unidade, tanto a do Estado, como a da prefeitura,vão funcionar 24 horas com capacidade para atender cerca de 300 pessoas por dia, serão do tipo 3,  com seis médicos compondo o quadro diurno e outros três no noturno.

Disputa política continua mesmo sem embate nas eleições

Quando o prefeito Rui Palmeira desistiu de renunciar ao cargo para disputar a eleição do governo contra Renan Filho, imaginava-se que a disputa política e as farpas iriam acabar, mas o anúncio de uma licitação para uma unidade hospitalar, quase “vizinha” a que está sendo construída pelo Estado, mostra que o embate estão longe de acabar.

Na cerimônia de início das obras da UPA do Estado, o governador Renan Filho soltou uma farpa em seu pronunciamento.

"Faz 50 anos que não se constrói um hospital público em Maceió. Quando assumimos o Governo não havia nenhuma UPA em funcionamento na capital. Aliás, Maceió era a única capital no Brasil que não possuía UPA em funcionamento. Hoje tem duas funcionando, brevemente terá mais duas e eu espero elevar para seis o número de UPAS em Maceió para atender os cerca de um milhão de habitantes, divididos em grupos de 180 a 200 mil moradores. Essa é uma mudança de postura muito grande: é o Estado de Alagoas se propondo a colocar mais recursos na saúde e melhorar o atendimento ao cidadão, sobretudo para os mais pobres, que não têm plano de saúde"

Já a prefeitura se manifestou pelo secretário municipal de saúde, Edvaldo Neiva, que disse: “A Saúde de Maceió traz nessa gestão grandes avanços como a construção e reforma de cerca de 40 unidades básicas, entre elas o PAM Salgadinho que conta com uma nova estrutura, novos equipamentos, serviços como raio x, mamografias, e o Laclin totalmente novo e equipado. O Jacintinho precisa de uma atenção especial, é um pleito da população e com muito trabalho conseguimos a aprovação do Ministério da Saúde”