Antes de tratar do tema central, que fique claro que “o golpismo militar é sempre uma condição latente nas Forças Armadas, mas só germina com o golpismo civil a adubá-lo”.
Portanto, há quem acredite que a manifestação do General Eduardo Villas Boas pressionando o STF revela, na verdade, um comandante acuado, tentando fazer um gesto para se por à frente de uma pressão crescente da alta oficialidade cada vez mais próxima do golpismo.
Se isso for verdadeiro, o comandante das Forças Armadas comete um gravíssimo erro, pois se está fazendo um movimento preventivo para conter seus "radicais", está se metendo numa sinuca.
Com suas diferenças naturais, mas da mesma forma que o Judiciário errou ao permitir que juízes e promotores assumissem liderança política, concordando com seus abusos. Daí o STF perdeu sua autoridade e ficou refém. Retomar é agora é bem mais difícil e complicado.
Pois bem, agora voltando ao falastrão ministro Gilmar Mendes. Claramente a reação dos militares ocorreu após suas declarações que deram a entender que o STF deve rever a questão do cumprimento de pena após julgamento em segunda instância, o que beneficiaria o ex-presidente Lula.
Em Lisboa, onde participa de um evento organizado pelo seu instituto, o ministro concedeu uma entrevista para acalmar os insatisfeitos. Ele afirmou a veículos da imprensa portuguesa (DN e TSF) que "A não ser que aconteçam outras coisas o presidente Lula hoje já está inelegível com a simples decisão de Porto Alegre, independentemente da prisão ou não. Portanto, a meu ver ele já está fora", disse e reforçou: "Lula é inelegível e não é por conta da condenação criminal só. É a condenação criminal em segunda instância com a lei da chamada Ficha Limpa. Independentemente de estar preso ou solto, ele está inelegível".
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