A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira passada, pela inconstitucionalidade da lei cearense que regulamenta a vaquejada como esporte segue repercutindo e deve provocar desdobramentos em todo o País, inclusive em Alagoas, onde, em setembro de 2015 foi aprovada uma lei similar na Assembleia Legislativa (ALE).

A declaração de inconstitucionalidade abre o precedente para que a lei alagoana - e de outros estados - também seja questionada, deixando em polvorosa defensores e críticos da vaquejada, que já se mobilizam dentro e fora das redes sociais.

Um post do governador Renan Filho (PMDB) defendendo a preservação da vaquejada como “patrimônio cultural de Alagoas e do Nordeste”, gerou enorme repercussão no Facebook e ilustra um pouco das reações apaixonadas despertadas pelo tema.

Até às 17h desta segunda-feira, 10, a postagem já tinha 1.050 compartilhamentos e 695 comentários, favoráveis e contrários ao posicionamento do governador.

O deputado federal Pedro Vilela (PSDB) também já havia entrado na polêmica – e na mira dos que consideram a atividade maus-tratos a animais – ao afirmar que a foi equivocada a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em declarar inconstitucional a lei cearense que regulamenta a vaquejada como esporte.

Nesta terça-feira, 11, adeptos da prática realizam uma caminhada em Maceió até o Palácio República dos Palmares. Ainda não foi divulgado se haverá alguma manifestação no sentido oposto, organizada por grupos de defesa dos animais.

Sofrimento e violência

A professora Lua Beserra, ativista da causa animal, disse, em entrevista ao Blog, que assim como outras atividades envolvendo animais, a vaquejada é uma prática violenta e não pode ser aceita com base na "desculpa de ser tradição".

“Na Índia era tradição a circuncisão feminina com tesouras e lâminas. Muitas meninas morreram por infecção e complicações derivadas dessa violência. Vai se manter essa tradição? Na china, os pais quebravam os dedos das meninas antes dos sete anos de idade para confinar os pezinhos em pequenos sapatos para que respeitassem a tradição. O fato de algo ter acontecido por décadas a fio e ser chamado de tradição não significa que deva continuar acontecendo”, comparou a ativista.

“A vaquejada é uma prática violenta que fere e agride o animal, sem lhe dar chances de defesa, de maneira covarde e cruel. Puxar um animal pelo rabo e quebrar seus membros numa queda não pode ser considerado esporte e muito menos cultura. Cultura é algo que deve nos enriquecer. Eu sou contra a vaquejada, e qualquer outra atividade que imponha dor, sofrimento e violência contra um animal que não escolheu estar ali”, concluiu.