O ativista brasileiro Rafael Lusvarghi, 32 anos, foi preso nesta semana no aeroporto de Boryspil, cidade localizada a poucos quilômetros de Kiev, capital da Ucrânia. Ele é acusado de integrar movimentos rebeldes pró-Rússia. Segundo o serviço de segurança do país, Lusvarghi portava um passaporte estrangeiro e um laptop que continha conversas com representantes de grupos terroristas.
A prisão ocorreu na última quinta-feira (5), quando o ativista tentava entrar na Ucrânia, país localizado no leste europeu. Ele foi detido por equipes do serviço de fronteiras, sob a acusação de integrar organizações terroristas, o que fere o artigo 258-3 do código penal ucraniano.
O governo ucraniano afirma que Lusvarghi trabalhou em “estreita colaboração” com os serviços especiais russos e reforça que o combatente tem habilidades de montanhismo, operação de explosivos e captura de reféns. A nota oficial do serviço de segurança também classifica o brasileiro como “assassino profissional”. Vídeo publicado na internet mostra o momento da prisão.
Página no Facebook chamada “Free Rafael Lusvarghi” pede a liberdade do ativista e orienta os internautas a pedir que o Itamaraty intervenha no caso em favor do brasileiro. Até o início da noite desta sexta-feira (7), o espaço virtual tinha 368 seguidores.
Outra página em apoio ao combatente, intitulada “New Resistance” (Nova Resistência), assegura que a prisão foi injusta. “Pelos Acordos de Minsk, deve haver anistia para todos os que combateram na guerra civil ucraniana. Os Acordos de Minsk foram assinados pelo governo ucraniano e, portanto, eles devem ser obedecidos. Se ele, enquanto combatente, estava anistiado, trata-se de um sequestro de cidadão brasileiro.”
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os conflitos na Ucrânia, que começaram em abril de 2014, já provocaram a morte de mais de 9.300 pessoas e deixaram outras 21,5 mil feridas.
Histórico
Lusvarghi tem treinamento militar, tendo começado a carreira nessa área na Legião Estrangeira Francesa, na qual atuou como paraquedista e foi dispensado posteriormente por problemas de saúde. Em 2005, foi aprovado em concurso para soldado da Polícia Militar de São Paulo, passando, anos depois, em processo seletivo na Academia de Polícia Militar Coronel Fontoura, no Pará. Deixou a corporação em 2010 e foi viver na Rússia, onde se aproximou dos movimentos rebeldes.
De volta ao Brasil, o ativista foi detido em 2014 pela Tropa de Choque da PM paulista durante manifestações contra a Copa do Mundo. Na ocasião, ele participou de atos em São Paulo ao lado de grupos adeptos à tática Black Bloc, responsáveis pela depredação de bancos e prédios públicos.









