O sonho do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de tornar a disputar uma eleição presidencial fica cada dia mais distante. Atingido fortemente durante o pleito de 2014 com as denúncias de que construiu o aeroporto de Cláudio, em 2009 - época em que governou Minas -, dentro das terras de um tio, de lá pra cá novas suspeitas surgiram.

Sem aprofundar nas denúncias de participação recentes sobre um esquema de propinas em Furnas e na construção da cidade administrativa também quando foi governador, agora surge mais uma: Cemig, a Companhia Energética de Minas Gerais.

Relatório da empresa revela uma obra em uma rede de energia que corta uma fazenda da família do senador sem que a empresa cobrasse dos donos o custo. A regra da estatal determina que haja cobrança, o que não ocorreu.

Na época deveria ter custado cerca de R$ 240 mil. Mas os proprietários, parentes do governador, sequer chegaram a ser cobrados. Só que a conta chegou, reajustada, e a família pagou recentemente R$ 417 mil à vista.

A assessoria de Aécio informou que sua família não reconhece a cobrança como sendo legal, mas fez o pagamento para evitar que o caso seja usado politicamente.

Ainda em nota, o tucano declarou que jamais interferiu em decisões técnicas da Cemig, não participa da administração da fazenda e que o procedimento na linha de distribuição “atendeu ao planejamento da empresa, não tendo sido solicitado pelos proprietários nem tendo sido os mesmos comunicados previamente sobre a realização do serviço".

Resposta interessante. Mas é a mesma velha e conhecida mistura de salada de frutas que não combinam, como jaca, laranja e goiaba no mesmo recipiente.

No entanto, na política dá caldo perfeitamente, pelo menos até ser revelada.

Coisas da profissão.