Depois do vazamento das gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o senador Renan Calheiros (PMDB) está vivendo o seu maior inferno astral desde o início da Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está analisando se pede o afastamento dele da presidência do Congresso e do Senado, da mesma forma como ocorreu com Eduardo Cunha (PMDB) na Câmara dos Deputados.

O estudo que vem sendo feito é baseado nas gravações da conversa de Calheiros com Sérgio Machado. Especialmente no ponto em que Renan se refere a Janot como “mau caráter” e o entendimento é que ele utiliza o cargo para obstruir a justiça. É claro, também, que o estudo se baseia em questões que não foram vazadas, ainda.

Calheiros é investigado em 12 inquéritos que tramitam no STF - nove relacionados a corrupção na Petrobras, dois referentes ao pagamento de pensão alimentícia a uma filha de um relacionamento extraconjugal, e um sobre à Operação Zelotes.

Será que o senador vai conseguir escapar? Sim ou não, o fato é que os acontecimentos em Brasília terão implicações nas eleições municipais, especialmente em Maceió na disputa entre o candidato dos Renans pai e filho, Cícero Almeida, contra o prefeito Rui Palmeira.

Bom, e se a situação não está boa para o senador ainda há espaço piorar. Ele foi o último poderoso do PMDB a embarcar no navio mercante do governo provisório de Michel Temer.

Mas as trapalhadas protagonizadas em poucas semanas e o vazamento do acordo político para afastar Dilma Rousseff podem fazer com que ela volte a governar.

Petistas calculam que Temer tem 50 votos para tirar Dilma definitivamente do poder, quando são necessários pelo menos 54. E o cenário, quem diria, pode melhorar ainda mais se Renan Calheiros tiver o pedido de afastamento por parte da PGR acatado pelos ministros do STF. É que ele tem controle sobre vários senadores e é um excelente negociador político, acreditam petistas.

E o PT agora tá de olho nos senadores que votaram pela admissibilidade do impeachment, mas que não fecharam questão quanto ao afastamento definitivo. As contas variam entre oito, dez e até quinze senadores que podem ser conquistados.

Portanto, a corrida pelo ouro do poder permanece. E tudo pode mudar de uma hora para outra. Com exceção da crise econômica e o desemprego, é claro.

E isso é política.

A nossa política com todo o jeitinho e o tempero brasileiro.