Dois senadores alagoanos votaram favorável pela continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A sessão no Senado durou mais de 18 horas e o voto e discurso do senador Fernando Collor (PTC) era muito aguardado, diante da indefinição de sua posição.
Através de sua assessoria, Collor divulgou uma nota em que afirmou que a política no país está em ruínas. O ex-presidente lembrou as fases do seu processo de impeachment e ainda disse que alertou por diversas oportunidades a presidente Dilma sobre a possibilidade de um processo.
"Chegamos ao ápice de todas as crises. Chegamos às ruínas de um governo. Não foi por falta de aviso. Falei dos erros na economia, na excessiva intervenção estatal, nas imprudentes renúncias fiscais. Falei da falta de política e diálogo com o Parlamento. Nos raros encontros com a presidente, externei minhas preocupações, especialmente após a sua reeleição, quando sugeri a ela uma reconciliação de seu novo governo com seus eleitores e com a classe política. Alertei-a sobre a possibilidade de sofrer impeachment. Mas não me escutaram. Coloquei-me à disposição. Ouvidos de mercador. Desconsideraram minhas ponderações. Relegaram minha experiência. A autossuficiência pairava sobre a razão", disse Collor.
Benedito de Lira (PP) também declarou ser favorável à admissibilidade do processo de impeachment. Ele disse que o relatório da comissão aponta indícios de crimes de responsabilidade fiscal e que os todos os brasileiros vivem um momento único e crítico da história do país.
O presidente do Senado, Renan Calheiros não externou seu voto e acrescentou que somente seria dado em caso de empate. Os senadores decidiram por 55 votos a favor e 22 contra pelo afastamento de Dilma.
A presidente deverá ser notificada ainda na manhã desta quinta-feira.
