Principal responsável pela crise política e econômica, a presidente Dilma Rousseff já admite encurtar o seu mandato. Afinal de contas, como deverá ser afastada pela comissão do Senado, dificilmente irá retornar ao poder. E mesmo que retorne, continuará o país dividido, o que é ruim para todos.
Não mais se sustenta o argumento de que o afastamento ou o impedimento é golpe. Essa ideia não tem mais importância, neste momento, pois os dois lados têm aceitáveis argumentos. Dilma falhou na comunicação, na relação política e na economia. Perder o apoio popular e político é grave. O tempo, senhor de tudo, é que vai julgar os fatos atuais. Não adianta chorar pelo leite derramado.
Assim, a ideia de novas eleições significaria um gesto de pacificação, tese que cresce dentro do PT e do governo, tem o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros e de partidos políticos, especialmente no Senado, como Rede, PDT, PSB, PSOL, entre outros, e parte do PSDB.
Claro que Temer e seus aliados são contrários a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que poderá ser enviada ao Congresso. E claro que Cunha também é contrário, porque perderia o poder que conquistou ao dar início à queda de Dilma.
Portanto, a classe política está nesse momento dividida, o que pode significar nova crise e dias terríveis para o vice-presidente. Porém, entra nesse jogo a voz das ruas. Pesquisas feitas pelo Ibope e Voz Populi apontam que esse é o desejo da imensa maioria da população. O problema é que o ex-presidente Lula surge como franco favorito. E isso pode assustar nomes de várias siglas
Veja abaixo os números do Instituo Vox Populi:
Cenário 1
Lula - 29%
Marina Silva - 18%
Aécio Neves - 17%
Jair Bolsonaro - 7%
Ciro Gomes - 5%
Ninguém/Branco/Nulo - 16%
NS/NR - 7%
Cenário 2
Lula - 31%
Marina - 23%
Aécio - 20%
Ninguém/Branco/Nulo - 19%
NS/NR - 7%
Entre dezembro do ano passado e abril deste ano, Aécio caiu 11 pontos percentuais (eram 31% em dezembro; 23% em fevereiro), Marina subiu de 19% em fevereiro para os 23% atuais. Lula oscilou um ponto.
Já o Ibope mostra que 62% dos entrevistados desejam novas eleições. Isso significa que Temer, que aparece com apoio de 8%, não tem respaldo popular. E quem tem medo de eleições é quem não tem votos.
Ao que parece, a solução para crise política está longe, muito longe de uma solução. E ela contamina e alimenta a crise económica. É a luta pelo poder versus a vontade do povo que vai continuar ditando os dias que virão, embora a tese de novas eleições presidenciais tenda a crescer.