Os principias veículos de comunicação do mundo repercutiram de forma negativa, irônica e pessimista a decisão da Câmara de dar continuidade ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Meios de comunicação dos principais países da Europa e dos Estados Unidos ainda não conseguiram entender como um grupo político formado por deputados, e seus partidos majoritariamente envolvidos em irregularidades, é mantido no poder.

Da mesma maneira que The Guardian, El País, CNN e Der Spiegel, entre outros, o maior jornal do mundo, o New York Times, em editorial, diz que “as pedaladas fiscais foram pretexto para um referendo sobre o PT, no poder desde 2003”.

Afirma ainda que “Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolve a classe política brasileira”.

O NYT analisa que o processo é conduzido por “políticos acusados de crimes mais graves do que os atribuídos à presidente Dilma e que, se ela sobreviver à batalha, terá de apresentar forte liderança para consertar a economia e erradicar a corrupção”.

E também na manhã de hoje (19), a Sputnik Brasil - uma agência internacional de notícias lançado pelo governo da Rússia – anunciou um comunicado emitido pela chancelaria russa sobre o momento conturbado vivido pelo país que tem a sétima economia do mundo.

Assinado pela representante da chancelaria, Maria Zakharova, documento informa que o agravamento da crise é observado atentamente e diz esperar que os problemas sejam resolvidos “no âmbito do Direito constitucional, sem intervenções externas“.

Leia abaixo o comunicado na íntegra:

“Observamos atentamente o agravamento da situação no Brasil, surgido por causa da decisão tomada pela câmara baixa do Congresso Nacional de iniciar o impeachment da presidente do país. A Rússia está ligada com o Brasil por laços de parceria estratégica, por uma experiência bem-sucedida de cooperação em várias plataformas — ONU, G20, BRICS. Esperamos que os problemas que possam surgir neste período complexo para nosso parceiro sejam solucionados no âmbito do Direito Constitucional, sem intervenções externas”.

Ou seja, dá pra deduzir que a crise brasileira está tomando proporções além das nossas fronteiras e dos limites da América do Sul.

Bom, a decisão agora cabe ao Senado. Embora os ministros do STF possam intervir, caso provocados, para decidir se pedaladas fiscais implicam em crime de responsabilidade e se é motivo para afastamento de um presidente.