Nas contas feitas até o momento por diversos veículos de comunicação, os números não batem. Levantamento do O Globo aponta, na Comissão da Câmara, 30 votos favoráveis ao parecer, 18 contra e 17 indecisos. Já a Folha mostra 36 a favor, 16 contra e 10 indecisos.

                                                                   

Os aliados da presidente Dilma trabalham, efetivamente, para o embate no plenário. No entanto, caso os números da Folha sejam os reais é possível, embora bastante improvável, parar a questão na Comissão.

 

Mas como a política é um jogo onde erros estratégicos beneficiam um lado ou outro, é nisso que os atores dessa disputa podem tirar benefícios para uma nova jogada.

 

Se antes o impeachment de Dilma era dado como líquido e certo, agora não mais. E isso decorreu de dois fatores: primeiro do juiz Sérgio Moro na condução coercitiva do ex-presidente Lula, o que o trouxe definitivamente para o centro do furacão. Com ele, simpatizantes, movimentos sociais, juristas e filiados.

O segundo erro, e fundamental, foi o anúncio do desembarque do apoio ao feito por lideranças do PMDB do nível de Moreira Franco, Eduardo Cunha, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ali ficou claro, na foto, que o partido que se beneficiou sempre do governo desejava o poder e passava o sinal claro de traição para beneficiar o vice-presidente Michel Temer (PMDB).

 

Pior ainda ficou quando outros membros da sigla que ocupam ministérios decidiram que não deixariam o governo, mesmo com os riscos de serem punidos pela sigla. E esse foi o grande erro de Temer. Uma decisão que não unificou a sigla que, aliás, nunca teve um pensamento majoritário.

 

Qualquer saída para reduzir ou extinguir a crise política que afeta a economia só é viável através do entendimento. Sem ele, aconteça o que acontecer, o País permanecerá em crise, numa autofagia estúpida afetando a todos. E isso é dito por políticos, analistas e juristas.

 

O ex-juiz federal Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, por exemplo, prevê com propriedade que o impeachment significaria a ruptura do pacto político supremo que é a Constituição e que haverá resistência e mobilização social se o afastamento de Dilma for aprovado, com manifestações que vão durar até 2018.

EM TEMPO – Como me contou um amigo, são tantas notícias ruins no presente, assim como as perspectivas para o futuro, que o quadro atual tem afetado até os sonhos do seu filho de apenas 13 anos. Diz ele que o garoto revelou que quando vai dormir escolhe algo bom para pensar, sonhar. Numa dessas noites decidiu que seria o lutador Anderson Silva. Mas ao final do combate foi derrotado, apanhou feio.

Em outro dia escolheu ser um bonitão, um grande conquistador. Deu errado. Só levava fora. E assim ocorreu com outros temas escolhidos para os sonhos. Um dia acordou, pensou e anunciou sorrindo ao pai que decidira romper com Dilma e ser favorável ao fora PT, fora Dilma, como o seu tio e a imensa maioria dos seus colegas da escola de classe média onde estuda.

Alguém tem que ser culpado por tudo, até que chegue a maturidade.

Mas o julgamento ficará para a história.