Depois dos empresários do setor industrial, agora foi foi a vez dos grandes produtores e pecuaristas brasileiros se posicionarem contra o governo federal.  A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) decidiu nesta quarta-feira, 06, apoiar o movimento em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

O descaso e falta de investimentos do setor produtivo, principalmente na infraestrutura dos portos, ferrovias e rodovias, o descrédito do governo dentro do País e no âmbito internacional, bem como a falta de repostas concretas para a crise econômica motivaram a decisão da categoria.

Incitação à violência

Mas, foi fala de um diretor da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), na última sexta-feira, 1º, numa solenidade do Palácio do Planalto - incitando a violência no campo ao sugerir a invasão fazendas - o estopim, que ajudou na posição tomada pela entidade representativa dos produtores e pecuaristas.

“Como resposta à crise política, o governo federal mobiliza para sua defesa apenas organizações radicais e minoritárias da sociedade, aprofundando divisões e separando as pessoas. Em recente ato político realizado no Palácio do Planalto, diante da presidente da República, um dirigente da Contag defendeu abertamente a invasão de propriedades rurais, incitando a violência como recurso de pressão política”, diz um trecho na nota oficial divulgada nesta quarta pela CNA.

A Confederação chegou a ser dirigida pela atual ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu (PMDB-MT), que afirmou permanecer no governo, mesmo com o desembarque do seu partido da base aliada, e ainda ironizou que "aposta para ver" se o PMDB vai expulsar alguém que não deixar os cargos governistas. A CNA é dirigida atualemnte pelo baiano João Martins da Silva Junior.

“Governo não congrega”

Para o ex-presidente da Comissão da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados, Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), disse o posicionamento da CNA é responsável.

“Está dentro de uma visão de que devemos ter um novo governo, haja vista que presidente Dilma não mais consegue congregar a classe política. E o que é mais grave, ela também não consegue congregar os segmentos produtivos do nosso País”, afirmou, em entrevista exclusiva à Agência Política Real.

O parlamentar cearense lembrou que o agronegócio brasileiro é hoje o maior responsável pelo PIB (Produto Interno Bruto) nacional. “Isso se dá devido as parceria nacionais e internacionais que o Brasil conquistou nos últimos anos através do agronegócio.”

Segundo ele, a CNA “tem uma credibilidade que estava sendo prejudicada pela falta do cumprimento de várias parcerias. Elas tinha sido construídas através do governo Dilma, mas que não foram cumpridas.”

“A gente observa que o Brasil está perdendo espaço em virtude da falta de infraestrutura portuária, ferroviária e das nossas rodovias. Tudo isso agregado a uma instabilidade na legislação trabalhista e nos aspecto tributário”, ressaltou o deputado.

Raimundo Matos criticou ainda o governo Dilma que, segundo ele, “ultimamente, tem tido mais preocupação em aumentar a sobrecarga de taxas e impostos, o que tem prejudicado todo o segmento do agronegócio brasileiro.”

A nota da CNA

A Política Real publica a seguir a íntegra do comunicado oficial feito pela  CNA na manhã desta quarta-feira.

CNA decide apoiar o movimento em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff

O Brasil está vivendo uma gravíssima crise econômica originada por reiterados erros de política econômica e pelo colapso fiscal promovido pela ação do atual governo.

A única saída para a recuperação do equilíbrio fiscal e para a retomada do crescimento econômico é a aprovação pelo Congresso Nacional de reformas que requerem a formação de amplas maiorias legislativas e grande consenso político.

Como resposta à crise política, o governo federal mobiliza para sua defesa apenas organizações radicais e minoritárias da sociedade, aprofundando divisões e separando as pessoas. Em recente ato político realizado no Palácio do Planalto, diante da presidente da República, um dirigente da Contag defendeu abertamente a invasão de propriedades rurais, incitando a violência como recurso de pressão política.

Posteriormente o próprio ministro da Justiça, a quem caberia o resguardo dos direitos fundamentais e da ordem pública, aprovou expressamente as palavras do dirigente sindical, considerando-as uma reação legítima.

O governo da presidente Dilma Rousseff dá seguidas mostras de não reconhecer nem compreender a verdadeira natureza dos problemas que afligem o País, nem revela disposição de enfrentá-los. Diante de tudo isto fica cada vez mais claro que a presidente da República não tem mais a autoridade política para liderar o processo de reformas nem a capacidade de voltar a unir os brasileiros.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), diante da manifestação dos representantes dos produtores rurais em todo o País e em consonância com a sociedade brasileira, decide apoiar o movimento em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, conforme prevê a Constituição Federal e o Estado Democrático de Direito.

Brasília, 6 de abril de 2016

CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA)