Tivesse ambições políticas, o ex-secretário de Segurança seria o melhor nome para disputar a Prefeitura de Maceió. Superior, inclusive, neste instante, ao do atual e ao do anterior, Rui Palmeira (PSDB) e Cícero Almeida (PMDB), respectivamente. Mas sempre que esse tema foi tratado e especulado com ele, de imediato foi rechaçado.

No atual ambiente político sob suspeição generalizada em que vivemos, as características apresentadas pelo ex-secretário representam um novo modelo, ou o modelo ideal: vida limpa, forte atuação como promotor de Justiça, gestor público que resgatou a autoestima dos policiais e ganhou a confiança da sociedade com uma natural capacidade de comunicação emotiva.

Some-se a isso o fato de estar sempre presente nas ações mais importantes de combate à criminalidade, o que causou um forte efeito psicológico e de resgate da confiança por parte da sociedade (classe média, especialmente) na atuação na segurança.

E isso foi implementado com a mesma estrutura de segurança do governo anterior. Ou seja, não houve aumento do efetivo, construção de delegacias nem de presídios. Houve ação e presença, participação, divulgação, resultado e comunicação.

Claro que o fato de ser do Ministério Público eliminou uma possível oposição do órgão, assim como também foi beneficiado pela tolerância de entidades que atuam em defesa dos direitos humanos quanto ao seu duro discurso contra criminosos vivos ou mortos. Afinal de contas, vivíamos assustados com os altos índices de criminalidade.

De qualquer forma, agiu certo Alfredo Gaspar em não aceitar publicamente sequer discutir a colocação do seu nome como candidato. E não se filiou a nenhum partido. O certo é que a vida de prefeito nos próximos anos será ainda mais difícil do que nos dias atuais, com ou sem Dilma Rousseff.

Assim, querendo ou não, o ex-secretário se preserva e escreve o seu nome na história da segurança em apenas quinze meses. No modelo político atual Gaspar não cabe em nenhum partido, nem de esquerda, muito menos de direita. Aliás, se não houver uma dura e séria reforma política, dificilmente um homem de bem cabe na política brasileira.

No entanto, como está impossível enxergar os desdobramentos da crise brasileira, quem sabe até as eleições de 2018, ou tenhamos mudanças profundas, não é mesmo?

E até lá, por que não, Alfredo Gaspar de Mendonça terá tempo de repensar os seus projetos profissionais.

 O que a política menos precisa é de gananciosos. O que a política mais precisa é de pessoas solidárias. E isso não é fácil, tampouco é facilitado pelos políticos profissionais.