Não haverá superação da crise política sem diálogo e sem que essa solução passe pelos atuais atores da política brasileira. Pois bem, na mesma semana em que Lula esteve em Brasília e conversou com Dilma, tomou café da manhã com senadores do PMDB e do PT na casa de Renan Calheiros, outros parlamentares fizeram reuniões
O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, anunciou, após um jantar organizado pelo senador Tasso Jereissatti - que contou com as presenças dos peemedebistas Renan Calheiros e Romero Jucá e dos tucanos José Serra, Antônio Anastasia, Cássio Cunha Lima, Aloysio Nunes e Aécio Neves -, que os dois partidos vão trabalhar juntos “para encontrar uma saída para o país”.
Em outro momento, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), publicou no Globo um artigo em resposta a outro feito por Fernando Henrique, em que propõe diálogo. Tarso diz que “cidadãos sensatos preferem uma saída negociada que fortalece a democracia”.
Para ele, esse diálogo poderia abrir a possibilidade para a convocação de uma constituinte que trataria de temas cuja legitimidade só “poderia vir do poder constituinte do povo”. E alerta: “Caso contrário, o que teremos é uma radicalização que só tende a reproduzir violência e ilegalidade”.
E no Congresso há movimentos defendendo o parlamentarismo, o parlamentarismo misto, enfim. Mas já há fortes reações contrárias a tal saída, inclusive por parte da Folha, defensora “há décadas” do parlamentarismo. Mas que considera que implantá-lo agora, nesse momento específico de crise política, é “adotá-lo de improviso”.
Lembro aqui que o parlamentarismo foi implantado no Brasil em 1961 e revogado através de plebiscito em 1963. Uma segunda tentativa ocorreu em 1993. Por determinação da nova Constituição, 55,6% dos brasileiros optaram pela continuação do presidencialismo. Apenas 24,9 foram contrários.
E vale lembrar que nessa época vivíamos o período de hiperinflação, quando os preços dos produtos eram remarcados mais de uma vez em um só dia a inflação anual era de cerca de 2.500% ao ano.
Outro detalhe importante é que dificilmente o povo, o eleitor brasileiro iria optar por conceder mais poderes aos parlamentares. O desgaste dos nossos representantes é imenso. A falta de confiança é enorme, portanto, não dá pra imaginar que a sociedade aceite qualquer mudança oriunda de um Poder desprezado.
A solução para a crise só pode vir do diálogo e dentro da lei. Caso contrário, estaremos participando, situação e oposição, da destruição de uma das partes, o que irá aprofundar a destruição da política ou a sua decadência.
Antes de qualquer coisa seria fundamental, por parte da classe política, que fossem debatidos com sinceridade e preocupação com o país as regras de financiamento eleitoral e reforma política que reduza o número de siglas, por exemplo.