Renan e os deputados: “Ou dá ou desce!”

No dia 17 passado publiquei neste espaço o texto “Eleições municipais e os duodécimos dos poderes”, no qual, especificamente sobre a Assembleia Legislativa, afirmo que como 2016 é ano de eleição os deputados vão “apertar” o governador Renan Filho (PMDB) por aumento do duodécimo e cargos no Executivo.

Como essa é a prática tradicional em todas as instâncias da política brasileira – governo federal, governos estaduais e governos municipais - onde o governante só governa se beneficiar os parlamentares, foi fácil cravar a estratégia.

O jornalista Marcos Rodrigues, na Gazeta desta terça-feira (23), diz que “Mesmo o governo tendo ampla maioria na ALE e trabalhando pela aprovação do orçamento 2016, tudo indica que a matéria que está pendente desde dezembro, só será submetida a votação em março”.

Em seguida afirma, de forma reveladora, que “No Palácio República dos Palmares, o governador Renan Filho (PMDB) se recusa a negociar espaço no governo com a base”.

Ora, caro leitor, é isso mesmo. Os deputados querem cargos e aumento do duodécimo para cobrir os devidos rombos e os débitos obrigatórios, como é o caso do Imposto de Renda que é descontado dos servidores e tem que ser repassado para o Executivo tanto o valor do passado quanto o do presente.

Ou seja: Ou dá ou desce.

Quem será que vai dar, ou descer?

Leia abaixo o texto publicado no dia 17/02:

Parte inferior do formuláSe em ano em que não há eleição já é assim, imagine agora, 2016, quando iremos eleger prefeitos e vereadores. Ou seja, o governador Renan Filho terá que abrir a carteira – digo -, os cofres públicos e conceder o que é pedido, ou parte, de aumento para os poderes, especialmente no caso da Assembleia Legislativa.

 

No Legislativo, no Judiciário e no Tribunal de Contas ninguém acredita no lema governamental de “fazer mais com menos”, referindo-se à queda da receita e a necessidade de enxugar despesas para continuar investindo. É uma frase pra vender uma ideia para o público via discurso nos meios de comunicação, apenas isso.

O TJ e o TC já anunciam que para funcionar precisam de um aumento no duodécimo acima do proposto pelo governo Renan, que foi de 3,4%. E os argumentos técnicos usados pelos dois órgãos são irrebatíveis, do ponto de vista técnico e político: “Não cobre os gastos do poder”, disse o presidente do TJ, Washington Luiz.

Já Otávio Lessa, presidente do TC, tem como carta na manga a inflação de 2015, que ficou acima de 10%, e a reposição que será cobrada pelos servidores. Portanto, em ambos os casos fica claro que ou há um aumento na proposta de Renan Filho ou o TC e o TJ podem ser inviabilizados.

Já quanto aos deputados... Bom, esse caso já é um bocado diferente. A sobrevivência política dos nossos representantes está em jogo e eles precisam de “estrutura” para enfrentar as agruras das eleições dos seus aliados. Nada de preocupação administrativa e financeira com servidores, repasses de empréstimo consignado, plano de saúde de servidores, enfim não é nada disso.

A preocupação é basicamente consigo. E Renan vai ter que abrir os cofres. Talvez já esteja preparado. Aliás, acredito que esteja sim. Apenas faz o jogo da dificuldade extrema para negociar valores menores.

Afinal de contas, política é assim. E o nosso Legislativo só funciona – para eles, deputados, e entre eles, apenas – com aumento anual de duodécimo, naturalmente, que são sempre somados e alimentados por alguns aditivos – dinheiro novo – sempre com a justificativa de que o valor definindo no orçamento anual foi insuficiente.

É sempre assim.

Uma pena. 

EM TEMPO: Foi assinado na semana passada pelo secretário do Trabalho e emprego, Rafael Brito, o contrato que dá início as atividades do Juventude Empreendedora em Alagoas. O programa visa dar oportunidade ao jovem de ter os eu próprio negócio.

Cerca de 5 mil jovens deverão ser beneficiados. Prefeituras e secretaria de Educação serão envolvidas. O projeto já foi executado em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Após a seleção os jovens serão capacitados para, em seguida, apresentar um plano de negócios. Os 500 projetos mais viáveis receberão assistência técnica através do Sebrae.