Há certos fatos na política que levam um bom tempo pra gente entender. Um deles é, neste momento, incompreensível. O PT, apesar de todos os escândalos envolvendo estrelas da sigla, continua aumentando o número de filiados, especialmente entre o público jovem.

O experiente analista político do Globo, Jorge Bastos Moreno, postou nas redes sociais o seguinte comentário: “Desconheço explicações que justifiquem esse fenômeno. Mas ele existe. Deveria estar acontecendo o contrário, ou seja, saída em massa”.

São quatro vezes mais simpatizantes do que os conquistados pelo principal partido de oposição, o PSDB. Uma das suposições é que, além de ser um partido organizado, mesmo com 13 anos no poder, tudo indica que o partido não incorporou a imagem de partido do poder, exatamente pelo massacre de críticas feito pela imprensa.

Por outro lado, o cacife eleitoral de Lula vem caindo, segundo pesquisa Ibope, após o aprofundamento da crise econômica e das investigações em torno do ex-presidente. O potencial de votos diminuiu de 41% para 33%. 61% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. A maior perda eleitoral ocorreu no Nordeste.

No entanto, Lula mantém 19% de eleitores que votariam nele “com certeza”. A sua rejeição gira em torno de 48%, e o potencial de votos é de 47%. Só que, segundo reportagem publicada pelo Estadão, que você pode ler na íntegra no endereço (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-menor-cacife-de-lula,10000017549), “a rejeição aos seus potenciais adversários varia dos 42% de Marina Silva aos 52% de José Serra, com Aécio Neves (44%), Geraldo Alckmin (47%) e Ciro Gomes (45%) no meio – incluídos aí os 7% de eleitores que rejeitam todos os seis”.

E a tendência é que o capital de Lula caia ainda mais. A infinita Operação Lava Jato deu mais um passo no quintal petista. Na sua 23ª fase, batizada de Acarajé, a PF atua no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Um dos alvos é o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas de Dilma e da reeleição de Lula, contra quem há um mandado de prisão.

E assim, de fase em fase, os rumos da política brasileira vão mudando e não há ninguém que possa afirmar como será amanhã. Capital político nem sempre vai e volta. O certo é que muito precisa melhorar, e vai.