Vem aí um livro que vai dar muito que falar. “Diários da Presidência – volume I”, que será lançado no dia 29 de outubro, baseado nas anotações do diário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nos dois primeiros anos do seu governo.
Alguns trechos do livro estão sendo vazados seletivamente, é claro, o que, naturalmente, promove o livro. Sabiamente FHC solta seus bombardeios sobre essa ou aquela figura política de forma indireta, deixando para o leitor a conclusão claríssima de como funciona a relação de poder dentro do presidencialismo de coalizão.
Há fatos daquela época que parecem atuais, embora nenhuma providência tenha sido tomada. É o caso de corrupção na Petrobras. Fernando Henrique sabe que precisava fazer uma intervenção, mas decide não fazê-la.
Antes ele havia perguntado ao dono da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Benjamin Steinbruch, que havia sido nomeado por FHC para o conselho da estatal, que queria ouvi-lo sobre a Petrobras. A resposta que ouviu do empresário foi que a Petrobras era um escândalo.
Portanto, no livro é confirmado o que foi dito nas delações da Operação Lava Jato, que investiga, atualmente, o esquema de corrupção na petroleira, que o escândalo era anterior ao governo Lula. Só que FHC não revela por qual motivo optou por não intervir ou apurar. Talvez com o livro revele tudo ou solte algumas pistas nas entrevistas que, certamente, irá conceder para divulgação da obra.
Noutro trecho revelado, Fernando Henrique diz que foi pressionado por parlamentares para nomear “ladrões” em troca de apoio em votações no Congresso. Adiante é relatado que em 31 de maio de 1995 ele teve uma reunião com ministros sobre nomeações. “No fim da tarde estive (...) naquelas infindáveis discussões sobre nomeações, alguns são ladrões e nós temos algumas provas. (...) É vergonhoso, mas é assim”.
Entre os políticos que pediram cargos estão: José Sarney, Valdemar Costa Neto, Jader Barbalho, Wellington Moreira Franco e Michel Temer, atual vice-presidente da República, que teria pedido a indicação de um protegido seu para o fundo de pensão dos portuários. “É para ser mais solidário com o governo, ele quer também alguma achega pessoal nessa questão de nomeações. É sempre assim. Temer é dos mais discretos, mas eles não escapam. Todos têm, naturalmente, os seus interesses.”, anotou na agenda FHC.
Não tenho dúvidas de que o livro será um enorme sucesso. E muita gente vai querer entrevistar FHC para tirar dele o que não está claro no livro, mas que está nas entrelinhas.
O tempo passa, mas o presente parece repetir o passado.
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