O promotor de Justiça aposentado, jornalista e escritor Ivan Barros, lança nesta sexta-feira (23), na Academia Alagoana de Letras (AAL), em Maceió, o 29º livro de sua carreira como escritor. Desta vez, a obra se refere à biografia de um dos maiores políticos de Alagoas, o ex-governador Divaldo Suruagy. O livro, intitulado “Divaldo Suruagy, vida e obra de um Estadista”, conta, em 146 páginas, a trajetória do político que foi prefeito de Maceió, deputado estadual, governador por meio de eleição indireta, deputado federal, novamente governador em 1994, com a maior votação para o cargo de todo o país, até o impeachment, quando deixou o governo em um episódio que ficou conhecido nacionalmente como o “17 de Julho”.
O livro, publicado pela Gráfica Oficial do Senado, contém histórias, documentos e depoimentos de amigos e familiares mais próximos a Suruagy, além de várias fotos, com registros das atividades públicas do ex-governador de Alagoas. Em um trecho da biografia, é narrada a angústia de Suruagy após o impeachment, onde ele conta que “a responsabilidade é sempre transferida para quem tem o cargo maior. Quando o administrador de um órgão, ou um secretário de Estado erra, ninguém tem o interesse de responsabilizar aquele secretário. O objetivo é atingir o comandante do processo. Então, quem for o governador tem que arcar com o ônus, ou o bônus dos êxitos e os fracassos do governo” (página 56).
De acordo com Ivan Barros, que também era amigo de Suruagy, o ex-governador foi responsável por sua volta para Alagoas. Recém-formado em Direito e repórter da extinta Rede Manchete, no Rio de Janeiro, foi em um jantar oferecido a Suruagy, no Rio, que Ivan Barros viu a oportunidade de voltar para Alagoas. “Passei oito anos trabalhando como repórter da Rede Manchete e sempre dei destaque ao trabalho do Suruagy, mesmo lá, no Rio. Nessa época, durante o jantar, ele me falou que teria uma prova para a promotoria de Justiça do Ministério Público de Alagoas, e que eu fizesse a prova. Estudei, fiz o teste, fui nomeado e fiquei no cargo durante vinte e cinco anos”, contou.
Depois desse período, Ivan Barros se aposentou e foi advogar. “O Suruagy não gostou muito dessa ideia, porque eu poderia ficar mais no cargo de promotor e me tornar desembargador. Mas eu queria advogar e assim fiz. Depois, inaugurei o jornal Tribuna do Sertão, porque em Palmeira não tinha um jornal impresso, onde passei quase vinte anos e que agora está entregue ao meu filho, o Vladimir”, comentou.
Membro mais antigo da Academia Alagoana de Letras, junto com o escritor Douglas Apratto, ao mesmo tempo em que dirigia a Tribuna do Sertão, Ivan Barros também se dedicava à literatura. No ano passado, uma doença o afastou, um pouco, desse universo. “Fiquei doze dias internado na UTI de um hospital. Quando saí de lá, fui descansar um pouco na Barra Nova e o Suruagy foi lá me visitar. Em nossa conversa, sugeri que ele escrevesse uma autobiografia, e ele perguntou se eu não queria fazer isso, porque ele conhecia o meu texto e eu conhecia a história dele. E assim o fiz. Cumpri o meu compromisso, mesmo ele não estando aqui para ver o lançamento do livro, pois ele morreu em março deste ano, aos 78 anos. O Suruagy permanece na minha memória e na minha saudade. Ele foi, para mim, um amigo-irmão”, ressaltou.

