O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), têm muito mais afinidades políticas do que imaginamos. Por isso o partido do presidente tucano sempre esteve aliado ao peemedebista durante todo esse processo de desestabilização política e de tentativa de derrubada da presidente Dilma.

Essas afinidades vão do ódio comum ao PT, passando pelo apoio que Cunha deu a Aécio na eleição presidencial, a defesa forte da manutenção do financiamento privado de campanha, ao recebimento de favores e de dinheiro do banco BTG Pactual.

Pois bem, esse banco brasileiro, que é dono de um banco suíço onde Eduardo Cunha tem conta, doou R$ 500 mil para a campanha dele em 2014. Esse mesmo banco pagou, em 2013, a lua de mel de Aécio Neves, e de sua mulher, em Nova Iorque, na suíte do hotel Waldorf Astoria, com a justificativa de que o tucano faria uma palestra para empresários.

Ora, caro leitor, nenhuma empresa dá dinheiro nem paga conta de terceiros sem querer um retorno, ainda mais se o favorecido for prefeito, vereador, deputado senador ou presidente. Quer algo em troca, proteção, negócios, enfim. Apoio financeiro legal ou propina é uma troca sempre, é uma aliança, uma união de interesses. E tanto fiz se isso ocorre em Mata Grande, Maceió, Brasília ou alhures.

Exemplo: Nos Estados Unidos, o professor Lawrence Lessig disputa a indicação pelo partido Democrata. Sabedor de que 82% dos americanos acreditam que o sistema político é viciado, carrega a bandeira de, se eleito, vai aprovar uma lei que vai transformar o sistema político e, em seguida, renunciar ao cargo.

Lawrence quer acabar com o financiamento privado das campanhas, que ele acredita ser a raiz de todos os problemas. Porque elas são pagas por doações de bilionários e de grandes empresas. Da mesma forma que no Brasil, essa forma de financiamento provoca duas eleições: uma com votos e outra com dinheiro, com o agravante por aqui da compra de votos e de cabos eleitorais.

Portanto, é preciso consertar a democracia. É preciso que um voto efetivamente tenha o valor de um voto e não campanhas e candidatos financiados por milhões de reais obtenham maior possibilidade de vitória, como é hoje. E quando o eleito chega ao poder, ele vai defender os interesses dos seus financiadores e não do eleitor que o escolheu.

Ainda bem que o STF deu um passo importante neste caso. Mas ainda falta muito, especialmente quando vemos pessoas como Aécio e Cunha reclamarem dessa situação.

A democracia ainda é o melhor sistema do mundo e um voto tem que valer um voto para que a representação popular seja melhor efetivada.