Pesquisa Data Folha feita a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública - uma ONG formada por especialistas em violência urbana, mostra, mais uma vez, o Brasil dividido e, mais ainda, que isso é positivo quanto a uma das perguntas feitas.
Para a pergunta se bandido bom é bandido morto, 50% dos entrevistados disseram concordar. 45% discordaram. O restante não soube responder, não concorda nem discorda. Margem de erro é de 3% para mais ou para menos. Levantamento foi feito no final de julho. 1.307 pessoas foram ouvidas em 84 cidades com mais de 100 mil habitantes.
Bom, como existe essa divisão sobre o tema, ainda há tempo de reverter o quadro e isso só é possível com a implantação de políticas públicas que possam reverter essa realidade, especialmente nas periferias das cidades. Assim como alterar a visão policial de constante confronto entre polícia e bandidos.
No entanto, é fato que metade da sociedade é tolerante com a matança de suspeitos. Veja bem, caro leitor, estamos falando de suspeitos mortos em ações policiais, o que é um perigo para culpados e, principalmente, para os inocentes. Especialmente porque é colocada na mão de um policial a aplicação da pena capital, que é a morte.
Como a sociedade não consegue perceber uma saída para o quadro de violência, tendemos a acreditar que o único caminho possível é o extermínio, o confronto físico. Inclusive porque na sociedade há uma imensa sensação de impunidade, daí mais uma justificativa para a letalidade das ações.
Essa forma de ação de confronto, e não de investigação, também é trágica para a polícia. No ano passado foram mortos 398 policiais.
Esse quadro só pode ser modificado através de políticas públicas, justiça mais rápida, investigação, enfim, uma mudança completa na guerra das ruas em que há bandidos, mocinhos e inocentes sendo mortos todos os dias.