Pronto, era só que faltava.
A campanha da presidente Dilma pode ter usado a Justiça Eleitoral para lavagem de dinheiro.
Pelo menos, é o que suspeita o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, relator das contas de Dilma e do PT na eleição de 2014.
O nó está nas investigações da Lava Jato.
Mais precisamente nas declarações de empresários com contratos na Petrobras, de que teriam sido “forçados” a fazer doações financeiras ao PT e à reeleição de Dilma.
Em entrevista ao jornal Correio Braziliense deste domingo, Gilmar Mendes falou sobre o assunto:
“A gente discutia muito o modelo de financiamento, deste jogo de desequilíbrio, da atração que, sobretudo, as empreiteiras tinham por conta de obras e tudo mais. Mas não se tinha nunca afirmado até então que um percentual de contrato de uma estatal ia para partido. O que se está dizendo agora é que se usou o TSE ou a Justiça Eleitoral para lavagem de dinheiro. Porque, veja, se 3% de um dado contrato foram dados a título de doação, temos corrupção e o fenômeno da lavagem de dinheiro, utilizando a Justiça eleitoral como esse instrumento”.
Por isso, o ministro defende que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal investiguem as contas de Dilma e do PT:
“É para isso que nós precisamos de investigação, para separar uma situação da outra. O que se está dizendo, inclusive o procurador-geral disse isso, é que é esse o maior esquema de corrupção de que se tem notícia. E de que um percentual dos contratos era vertido para determinadas forças políticas. Inclusive para doação eleitoral. No que concerne à doação eleitoral, é interessante saber como isso se deu. Se o valor “x” que uma determinada empresa deu tinha como causa um dado contrato, um dado negócio, focando no âmbito eleitoral”.
Se ele acredita que as apurações nas contas de Dilma e do PT podem detectar algum tipo de crime, o ministro aponta que sim. Crime eleitoral ou fiscal. E explica:
“E que podem nem ser de responsabilidade direta da presidente, mas de quem conduziu a campanha, ou seja lá o que for. Por exemplo em relação a essa empresa Focal, que é objeto de muitas considerações. É a segunda maior receptora de recursos. Segundo se diz, no objeto social da prestação, teria sido para montar palanques. Não faz muito sentido gastar tantos recursos para montar palanques. Contrataram uma empresa local de São Paulo para montar palanques em São Paulo, Manaus, Cuiabá ou Belém. O que é isso? Não estamos discutindo muito o problema das campanhas, no seu financiamento, não temos olhado o modelo dos gastos, então aqui também se revela essa dimensão. E não se trata apenas de entender para esse caso específico. Para que realmente aprendamos a fazer uma adequada fiscalização. Acredito que a gente mudou um pouco o paradigma na apreciação das contas eleitorais. Quando fui designado relator, chamei técnicos do Banco Central, da Receita, do TCU, do próprio conselho de contabilidade. Então, fizemos uma análise um pouco mais aprofundada. Sempre se vem com este discurso: “Ah, mas as contas das chapas já foram aprovadas”. Mas foram aprovadas com ressalvas e já com apontamento de problemas, alguns sérios. A decisão do tribunal foi unânime no sentido de investigações terem curso. Encaminhamos em seguida todo o material verificado. Essa questão da Focal foi levantada por técnicos com a expertise necessária”.
Em tempo: A Focal é uma empresa de comunicação visual, que tem como sócio-gerente um motorista e é a segunda maior receptora de recursos da campanha de Dilma, da ordem de R$ 24 milhões.
Penso que faltará pau para bater nos tantos Chicos e Franciscos que essas investigações têm revelado.
E o PT, pra variar, no foco de todas elas.
